quarta-feira, 5 de novembro de 2014

"No pior cenário, o Brasil ganhará seu melhor prêmio: o PT perder o poder"


Imagem: Reprodução / IstoÉ
Em evento realizado a investidores em São Paulo na noite de ontem, o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e ministro na época do FHC, disse que não é hora para entrar em pânico e que a reeleição de Dilma Rousseff não o assusta. "No pior cenário, o Brasil ganhará seu melhor prêmio: o PT perder o poder na próxima eleição", comentou o economista, em evento promovido pela Lifetime Investimentos. 


Para ele, Dilma tem três caminhos a seguir agora. O primeiro seria ela restabelecer a confiança com o mercado, apontando metas críveis para inflação e superávit primário, além de indicar um ministro da Fazenda confiável e acelerar programas de privatizações. Esse seria o melhor dos mundos: "se isso acontecer, o Ibovespa poderia voltar aos 65.000 pontos", comentou. 

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Um segundo caminho, que seria o pior deles, seria "Dilma ser ela mesma". Isto é, seguir o pensamento do partido de que a melhor forma de conduzir o País é com o Estado intervindo pesadamente na economia, explicou. "Se ela for ela mesma, aí sim teremos que começar a nos preocupar porque a consequência será uma inflação ainda mais alta e uma nova onda de falta de credibilidade dos investidores", disse. 

A terceira alternativa apontada por ele, e, em sua visão, a mais provável, seria ela buscar um meio-termo. Neste cenário, Dilma escolheria um ministro da Fazenda que não seria tão forte, mas daria diretrizes claras para a política fiscal. "Neste caso, ela levaria de seis a nove meses para convencer o mercado de que não estaria indo para a direção errada". 

Neste contexto, Mendonça de Barros aponta que tem dois pontos cruciais agora: "se Dilma vai assumir um superávit primário, meta de inflação e trabalhar com Nelson Barbosa (um dos nomes cotados para o ministério da Fazenda) ou se vai nomear Henrique Meirelles, o que claramente mostraria uma intervenção de Lula. Mas se nada disso ocorrer, apertem os cintos", alertou. 

Na visão do ex-ministro, entretanto, mesmo no pior cenário, que seria "Dilma sendo ela mesma", o resultado seria positivo. "O Brasil teria seu melhor prêmio, que seria o PT enfraquecer e provavelmente perder a próxima eleição", comentou. Diante disso, ele reforçou que o momento não era para pânico e que o Brasil não vai virar uma Venezuela ou Argentina, como algumas linhas mais radicais de pensamento vinham alertando. "O Brasil tem a Veja, tem o PMDB, que não deixa ir nem para um lado e nem o outro. Temos defeitos, mas temos uma sociedade que funciona bem e que está aguentando o PT", concluiu.

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Paula Barra
Infomoney
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