domingo, 30 de novembro de 2014

Para Transparência Internacional, Petrobras macula imagem do país


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O revés na imagem da Petrobras no exterior também representa um duro golpe para a imagem do Brasil. A avaliação é da Transparência Internacional, entidade com sede em Berlim que monitora casos de corrupção em todo o mundo. Para a Transparência Brasil, o fato de o alto escalão da petroleira estar envolvido em desvios de recursos é grave.


As investigações e prisão de corruptores e corrompidos, contudo, mostram que o escândalo tem potencial para se tornar um divisor de águas em casos de corrupção no país. No último ranking de programas anticorrupção e transparência elaborado pela entidade, com 124 empresas globais, a Petrobras ficou no 31º lugar, à frente de concorrentes como Exxon Mobil (33º) e Occidental Petroleum (36º).



- É difícil separar a companhia de petróleo da imagem do Brasil, uma economia emergente em crescimento. Nesse sentido, o revés na imagem da Petrobras é um duro golpe também para o país, e estou certo de que as autoridades inevitavelmente precisam levar o caso a sério. Estou confiante de que veremos mudanças em breve - disse ao GLOBO por e-mail, Alejandro Salas, diretor para as Américas da Transparência Internacional.



Ele lembrou que a presidente Dilma Rousseff disse durante a reunião do G-20, na Austrália, que as investigações na Petrobras já marcam uma mudança importante no país acerca do fim da impunidade.


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- Na Transparência Internacional, estamos otimistas e apoiamos todas as ações que mostram que o corrupto não ficará mais impune no Brasil. E acreditamos que a Petrobras poderá livrar a sua imagem da corrupção, tornando-se um exemplo de integridade internacionalmente - disse Salas.

Alejandro Salas lembrou que o escândalo da Siemens mudou a mentalidade dos empresários alemães e da própria companhia. Com base nas legislações anticorrupção americana e alemã, a multinacional alemã pagou US$ 1,6 bilhão em multas aos governos dos Estados Unidos e da Alemanha para se livrar da acusação de corrupção.

As investigações mostraram que a empresa gastou US$ 1,4 bilhão para subornar funcionários públicos e políticos em dezenas de países, entre 2001 e 2007. Atualmente, o programa anticorrupção é um dos principais componentes da cultura da empresa. Salas afirma que a Siemens não só tem investido na recuperação de sua imagem, mas tem feito um esforço para ser mais transparente.


Para Susan Côté-Freeman, gerente do Programa de Integridade de Negócios da Transparência Internacional, as empresas de todo o mundo ainda têm muito trabalho a fazer para adotar, implementar e monitorar programas mais robustos de combate à corrupção. Ela diz que um elemento-chave para esses programas é o comprometimento dos CEOs dessas companhias com "padrões" de ética empresarial.

- Sem esse compromisso, o programa corre o risco de não sair do papel - afirma Susan Côté-Freeman ao GLOBO.

No estudo "Transparência na Comunicação Corporativa: Avaliando Maiores Empresas do Mundo", diz Susan, a média de transparência das empresas em programas de corrupção ficou em 70%, e a Petrobras registrou índice ligeiramente acima, com de 77%.

- A maior fraqueza da empresa foi a falta de divulgação de um comunicado que proíbe explicitamente a facilitação de pagamentos, que são pequenos subornos - disse ela.

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João Sorima Junior
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