quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Reinaldo Azevedo alerta sobre a onda de satanização da oposição pela imprensa


Imagem: Reprodução / UOL
No fim de semana passado, milhares de pessoas se reuniram em uma manifestação pacífica, protestando contra a reeleição da presidente Dilma. Entre os cartazes, viam-se muitos pedidos de punição aos escândalos de corrupção que envolvem o governo atual, e investigação do uso da máquina pública durante as eleições. No entanto, o que se leu na maior parte da imprensa foi que tinha havido uma manifestação pedindo um golpe de estado pelos militares. 

Em sua coluna na revista Veja, Reinaldo Azevedo comenta os eventos. Leia abaixo o texto completo:
A força do governismo — ou, para ser mais preciso, do petismo — na imprensa é avassaladora. Muito maior do que na sociedade. Nas urnas, vocês viram o resultado: Dilma venceu por uma diferença de pouco mais de três pontos. Muito cuidado com o que você lê. Muito cuidado com o que você vê. Muito cuidado com o que você ouve — sim, também com o que você lê aqui. Eu não quero nem preciso que você acredite em mim; eu quero que você tenha compromisso com os fatos. É por isso que este blog existe.
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No sábado, 2.500 pessoas, segundo a PM, se reuniram na Paulista para cobrar uma auditoria na eleição; muitas delas pediram, sim, o impeachment de Dilma se comprovado que ela sabia da roubalheira na Petrobras, conforme sustenta Alberto Youssef, no âmbito da delação premiada. Bem, caso isso fique mesmo evidente, é claro que a presidente terá de sair. Mas, antes, será preciso provar.
Muito bem: alguns poucos gatos-pingados, no protesto, chegaram a pedir uma intervenção militar, o que é, obviamente, uma tolice. Eram tão poucos os que assim se manifestavam que tanto o repórter da Folha como o do Estadão entrevistaram a mesma pessoa. Foi o bastante para que a questão ganhasse enorme destaque nos dois veículos. Ainda nesta segunda, o Estadão decidiu ouvir o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) a respeito do assunto, como se isso fosse relevante.
Tenta-se colocar em quem se manifesta contra a roubalheira e a truculência a pecha de golpista. Veículos de comunicação, o que é asqueroso, não têm se distinguido das páginas do PT nas redes sociais. O protesto de sábado se organizou em favor da auditoria e, reitero, do impeachment caso fique comprovado que Dilma sabia de tudo.
Esse procedimento é nojento. Um bando de brucutus resolveu atacar a editora Abril com camisetas da Dilma. Era composto, inequivocamente, de pessoas que faziam a campanha da petista. Ninguém tratou, porque seria mesmo incorreto, todos os dilmistas como fascitoides que não respeitam a liberdade de imprensa, ainda que a pregação do partido na TV desse azo a atos violentos.
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Mas basta que duas ou três pessoas, num ato de eleitores de oposição — às vezes, uma —, digam uma bobagem para que esta se transforme no centro das atenções. A luta que as oposições têm pela frente não será fácil. Terão de enfrentar a propaganda do governo federal e a disposição clara, já manifesta, de setores da grande imprensa, alinhados com o partido do poder, de desmoralizar a resistência.
Cumpre lembrar aqui uma vez mais: em ditaduras, também há governos, mas só nas democracias existe oposição. Desrespeitá-la corresponde a atacar o cerne do próprio regime de liberdades públicas. Os senhores editores têm de ficar atentos para impedir que grandes veículos de comunicação se transformem em panfletos partidários — na hipótese, é claro, de que eles próprios não sejam panfletários.

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Luciana Camargo
Folha Política
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