sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

'É uma aula do crime', diz Janot sobre esquema da Lava Jato


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O esquema de corrupção na Petrobras denunciado nesta quinta (11) pelo Ministério Público Federal configurou uma verdadeira "aula do crime", segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

"Essas pessoas, na verdade, roubaram o orgulho dos brasileiros", disse Janot.

Um "fluxograma do dinheiro" foi usado pelos procuradores para explicar o caminho da propina, descrito por eles como "complexo e profissionalizado".

Os procuradores dividiram as empreiteiras, os agentes públicos e os operadores financeiros acusados em três núcleos que, segundo eles, formaram um grupo criminoso para cometer fraudes a licitações e desviar dinheiro público na estatal.

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Organizadas em cartel, as empresas montaram um "clube" para combinar os resultados das concorrências e distribuir entre si as obras da Petrobras, com valores de acordo com seus interesses.

Na estatal, diretores e funcionários cobravam de 1% a 5% de propina sobre o valor dos contratos. Por fim, operadores financeiros faziam chegar as propinas aos beneficiários, num esquema de lavagem de dinheiro que muitas vezes foi "internacionalizado", segundo explicou o procurador Deltan Dallagnol.

Na ponta final da estrutura criminosa, as empreiteiras usaram empresas de fachada, operadas pelos doleiros, e firmaram contratos falsos para justificar o suborno.

"Os pagamentos saíam das empreiteiras como se fossem legais, feitos por serviços prestados. Contudo, esses serviços nunca existiram", afirmou Dallagnol.

Eram essas empresas de fachada que, na sequência, repassavam os valores a agentes políticos e funcionários da Petrobras –por meio de contas no exterior, pagamento em espécie ou pela compra direta de bens em favor dos acusados.

Como a caminhonete Land Rover presenteada pelo doleiro Alberto Youssef ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, por exemplo. "A Petrobras é vítima desse esquema", disse Dallagnol.

Nas denúncias apresentadas nesta quinta, foram apontadas quatro empresas de fachada, todas comandadas por Youssef: MO Consultoria, Empreiteira Rigidez, RCI Software e GFD Investimentos.

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Porém, no caso dos contratos feitos pelas empreiteiras Camargo Corrêa e UTC, duas empresas com atividade real foram usadas pelo esquema. De acordo com os procuradores, as companhias Sanko Sider e Sanko Serviços, fornecedoras de tubos, fizeram vendas para as construtoras, mas também simularam negócios repassar suborno.

Em alguns casos, as empreiteiras pagaram as propinas diretamente aos funcionários da Petrobras, sem a intermediação dos doleiros, por meio de contas no exterior.

Outras empresas, executivos e doleiros devem ser incluídos em acusações futuras, já que as cinco denúncias apresentadas até agora dizem respeito apenas aos contratos da diretoria de Abastecimento da Petrobras, na época em que foi comandada por Paulo Roberto Costa.

"As investigações não param por aqui", disse Dallagnol.

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Estelita Hass Carazzai e Flávio Ferreira
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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