sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Ministério de Dilma é 'banho de água fria' para quem acreditou em mudanças no segundo mandato, diz Julia Duailibi


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
A jornalista Julia Duailibi comenta a formação do ministério de Dilma para o segundo mandato e reforça o caráter de troca política dessa formação. Segundo Duailibi, o ministério até agora se destaca por mostrar que Dilma não consegue "casar as indicações políticas com nomes de maior densidade técnica".
Leia abaixo o texto de Julia Duailibi: 

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem treze novos ministros. Somados aos quatro nomes divulgados em novembro, entre os quais os três da equipe econômica, a presidente já definiu 17 dos 39 assentos da Esplanada.
É um banho de água fria para aqueles que compraram a tese da mudança no segundo mandato. Nas indicações de ontem, manteve-se como regra a filiação partidária: dos treze nomeados, onze vêm com a benção de algum partido. Há aumento da influência do PMDB, que passou de cinco para seis ministérios (Agricultura, Pesca, Turismo, Aviação Civil, Portos e Minas e Energia), e espaços distribuídos para PRB (Esporte), PC do B (Ciência e Tecnologia), PT (Defesa), PSD (Cidades) e Pros (Educação).
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Dilma privilegiou os laços políticos dos novos ministros. Anunciou o ex-prefeito de Ananindeua Helder Barbalho (PMDB-PA), filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), para a Pesca. No Esporte, indicará o radialista, apresentador de televisão, teólogo e animador George Hilton (PRB-MG). Não se sabe ainda qual é a experiência dele na área, estratégica no segundo mandato em razão da Olimpíada de 2016 na cidade do Rio de Janeiro. Mas o importante é que ele é aliado do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), derrotado na disputa pelo governo do Rio e que tem ambições eleitorais naquele Estado.
Não é novidade o loteamento ministerial. O que chama a atenção é que a presidente não conseguiu, ao menos por enquanto, casar as indicações políticas com nomes de maior densidade técnica. Nenhum “notável”, nenhuma grande referência de setores estratégicos ou produtivos. Nem mesmo o senador Armando Monteiro (PTB-PE), que foi presidente da Confederação Nacional das Indústrias e que vai para o Desenvolvimento, se destaca hoje como nome do empresariado. Talvez a única exceção seja a presidente da Confederação Nacional da Agricultura, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que vai ocupar a pasta da Agricultura e que, de fato, é representante do setor. Mas ainda assim é uma parlamentar, e sua indicação atende também o PMDB.
Nas nomeações, Dilma manteve ainda outro cacoete nocivo, o de dar emprego para aliados que foram derrotados nas urnas. Quatro foram os agraciados: além de Barbalho e Monteiro, derrotados nas disputas pelos governos do Pará e de Pernambuco, respectivamente, Eduardo Braga (PMDB-AM) ocupará o Ministério de Minas e Energia e Gilberto Kassab (PSD-SP) o das Cidades, depois de perderam as eleições no Amazonas e pelo Senado por São Paulo.
Até agora, Dilma só conseguiu surpreender em novembro com a nomeação de Joaquim Levy para Fazenda, a única indicação com potencial para trazer alguma novidade nos rumos da administração. A regra na montagem de seu segundo mandato tem sido a da mediocridade, com o objetivo de domar os partidos da base e evitar problemas no Congresso.
Mas nem isso está garantido. É insaciável o apetite dos aliados. Logo mais a insatisfação vai aparecer, principalmente durante o festival de nomeações no segundo escalão. É só esperar.

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Luciana Camargo
Folha Política
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