sábado, 24 de janeiro de 2015

2015 pode ser pior do que o esperado


Imagem: ABr
O cenário macroeconômico para 2015 mostrado pela pesquisa semanal Focus, publicada hoje pelo Banco Central, mostra um pessimismo crescente em relação à atividade e à inflação, mas, por incrível que pareça, a mediana das estimativas dos analistas ouvidos ainda tem espaço para piorar, especialmente no tocante ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem.

Conforme a Focus, a projeção para o IPCA em 2015 foi elevada pela terceira semana consecutiva, com os analistas esperando um índice de 6,50%. Isso mesmo com uma piora na estimativa para a expansão do PIB há duas semanas, com a projeção de um crescimento de 0,73%. Já a previsão para a taxa de câmbio no fim de 2015 subiu pela sexta semana consecutiva, com o dólar a R$ 2,70. E a taxa Selic deve terminar o ano que vem a 12,50%, segundo os analistas ouvidos pela pesquisa.

Leia também: 

O que a pesquisa Focus não mostra é a deterioração esperada para o mercado de trabalho em relação a este ano, queda maior no consumo das famílias e os investimentos ainda travados.

“Não vejo nenhum fator de crescimento para 2015 dada a conjuntura atual: os indicadores de confiança da indústria, comércio e da construção civil estão num patamar bastante baixo, o que significa que esses setores vão fazer grandes investimentos, ao menos no primeiro semestre do ano que vem”, disse a esta coluna o economista-chefe do banco Fibra, Cristiano Oliveira. Ele projeta crescimento zero para o PIB em 2015.

Segundo ele, o consumo das famílias tende a desacelerar em razão da deterioração visível do mercado de trabalho e da alta da taxa básica dos juros em curso pelo Banco Central, o que torna o custo do crédito bancário mais caro.

“Além disso, a política fiscal vai ser bem mais restritiva do que se observou nos últimos três anos, ou seja, é bastante provável que a política fiscal passe de expansionista para contracionista em poucos meses”, explicou Oliveira.

Assim, a probabilidade de haver uma contração da economia brasileira ao longo de 2015 não é desprezível.

A economista-chefe da consultoria Rosenberg Associados, Thaís Zara, trabalha com uma recessão técnica no primeiro semestre de 2015 e com um crescimento zero do PIB para o ano como um todo. Ela prevê um mercado de trabalho ainda mais fraco do que em 2014.

“A perspectiva de política fiscal mais apertada para 2015 por si só já tem um impacto sobre o PIB; a desaceleração do mercado de trabalho deve se intensificar e os investimentos – com todas as repercussões das denúncias envolvendo a Operação Lava Jato, o capital para as empreiteiras vai ficar mais caro – devem cair pelo menos no primeiro semestre de 2015″, argumentou Thaís.

Para este ano, Zara estima um aumento na criação de vagas líquidas de empregos formas pelo Caged abaixo de 400 mil, em comparação com 730 mil postos gerados em 2013. Para 2015, ela estima que serão criados pelo Caged entre 200 mil e 300 mil novas vagas de trabalho.

A economista-chefe da Rosenberg Associados acredita que a taxa de desemprego deve subir, em especial porque a população economicamente ativa (PEA) não deve registrar queda na mesma velocidade dos últimos anos, pois uma parte da população deve voltar ao mercado de trabalho e procurar emprego.

Leia também:

Qual será então a disposição da presidente Dilma Rousseff em apoiar um ajuste recessivo da economia, a fim de reduzir os desequilíbrios macroeconômicos registrados ao longo do seu primeiro mandato?

Basta lembrar que no primeiro semestre de 2011, o BC elevou a taxa Selic em 1,75 ponto porcentual e que o governo fez um superávit primário de 3,1% naquele ano, para desfazer todo esse esforço a partir do segundo semestre de 2011 no caso da política monetária e de 2012, no caso da fiscal.

Dará a presidente o respaldo para o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, preservar com o ajuste necessário?

Um tema fundamental para essa resposta é o mercado de trabalho, politicamente sensível, em particular no contexto de que em 2016 haverá eleições para prefeito.

E se a estimativa da pesquisa Focus sobre o crescimento da economia em 2015 estiver, de fato, muito otimista, com o PIB chegando a ter retração, a disposição da presidente Dilma vai ser testada para valer quanto aos rumos da política econômica em 2016.

Veja também: 



        

Fábio Alves 
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...