quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Empreiteiro chama ministro de Dilma e deputados como testemunhas


Imagem: Marcos Bezerra / Futura Press
O empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, preso desde 14 de novembro na sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR), base da Operação Lava Jato, chamou o ministro da Defesa, Jaques Wagner (PT), para ser sua testemunha. Em resposta à acusação feita pela Procuradoria, juntado aos autos da Lava Jato nesta quinta-feira, 29, executivo arrolou também o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo, o candidato à presidência da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT), e os deputados Paulinho da Força (SD), Jutahy Júnior (PSDB), Arnaldo Jardim (PPS) e Jorge Tadeu Mudalen (DEM).

Foi chamado ainda o secretário municipal de saúde de São Paulo, José de Filippi Júnior, ex-tesoureiro da campanha de reeleição do ex-presidente Lula (PT), em 2006, e da primeira campanha da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2010, e ex-prefeito de Diadema, cidade da região metropolitana da capital paulista. O criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende o empreiteiro da UTC Engenharia, declarou que os políticos foram arrolados “porque são pessoas que conhecem o Ricardo (Pessoa), apenas por isso”. O executivo é o primeiro empreiteiro, réu da Lava Jato, a arrolar para sua defesa políticos e autoridades muito próximas de Dilma e Lula.

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Pessoa é suspeito de liderar o ‘clube vip’ de empreiteiras alvo da Lava Jato, que investiga corrupção e propina na Petrobrás. No documento, ele alega cerceamento de defesa por falta de acesso a documentos e depoimentos prestados em delações premiadas, considerados imprescindíveis para responder à acusação.

“Provas amplamente utilizadas contra o denunciado são mantidas em sigilo sem que ele tenha a oportunidade de conhecê-las por inteiro e possa rebatê-las”, afirmam os criminalistas Alberto Toron, Carla Vanessa Domenico, Renato Marques Martins e Luisa Moraes Abreu Ferreira, que defendem o executivo.

A defesa do executivo fez ainda uma ‘reclamação’ à Justiça. Segundo os advogados, as empresas Odebrecht e Andrade Gutierrez estão na denúncia do Ministério Público, como partes constituintes da ‘organização criminosa’, mas não fazem parte da ação penal.

“A denúncia sustenta que a dita organização criminosa era constituída, entre outras empreiteiras, pela Odebrecht e Andrade Gutierrez. Ocorre que não se vê nenhum controlador ou mesmo executivo destas empresas no polo passivo desta ação penal”.

COM A PALAVRA, O MINISTRO JAQUES WAGNER.

A assessoria de imprensa do Ministério da Defesa informou que o ministro só irá se pronunciar após ser notificado.

COM A PALAVRA, O DEPUTADO ARLINDO CHINAGLIA.

“Em relação à divulgação de pessoas listadas como testemunhas pela defesa do senhor Ricardo Pessoa (UTC Engenharia), afirmo desconhecer as razões pelas quais foram arrolados líderes empresariais, ministros e ex-ministros e parlamentares de diversos partidos. Em razão de minhas funções institucionais como presidente da Câmara Federal, recebi um conjunto de líderes empresariais, entre eles o senhor Ricardo Pessoa, este na condição de representante de associação empresarial. Finalmente, asseguro não manter relações pessoais com o referido senhor, nem tampouco vejo qualquer sentido em vir a testemunhar nesse processo.”

COM A PALAVRA, O DEPUTADO JUTAHY JÚNIOR.

Por telefone, o deputado afirmou que soube da inclusão de seu nome no rol de testemunhas pela imprensa.

“Acredito que meu nome tenha sido colocado (na lista de testemunhas) em função de uma doação legal, de R$ 300 mil, que a UTC fez em 2014 para minha campanha, que está no Tribunal Superior Eleitoral. Minha prestação de contas foi aprovada por unanimidade. Essa doação foi feita por uma decisão pessoal do Ricardo Pessoa. Conheço ele há muitos anos, apesar de ter ficado 40 anos sem vê-lo. Ele é um pouco mais velho que eu (o deputado tem 59 anos), é baiano, estudávamos em colégio próximos. Encontrei o Ricardo em 2010, não sabia que ele era o Ricardo Pessoa. Ele esteve em meu gabinete, acompanhado de um amigo dele, disse que desejava doar para minha campanha e doou em 2010. Em abril de 2014, eu estive na UTC, em São Paulo, com ele, pessoalmente. Meu último contato foi em julho de 2014. Após a doação, eu telefonei para agradecer. Não sabia de irregularidade”, afirmou o deputado. “Eu aceitaria (ser testemunha). Se for para tratar da doação. A única relação que eu tenho com Ricardo Pessoa e UTC é a doação de campanha.”

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Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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