terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Ex-chefe de segurança de Hugo Chávez se refugia nos EUA e acusa governo do país e de Cuba de tráfico de drogas


Imagem: Reprodução / Veja
Matéria da ABC espanhola, traduzida por Felipe Moura Brasil, da revista Veja, relata que Leamsy Salazar, ex-chefe de segurança e assistente pessoal de Hugo Chávez, e posteriormente assistente pessoal do presidente da Assembleia Nacional, acusou formalmente o governo venezuelano de diversas práticas criminosas, especialmente relacionadas com o tráfico de drogas. 
Leia abaixo o texto traduzido: 

A preparação de uma acusação formal contra Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e número dois do chavismo, foi acelerada na procuradoria federal dos EUA com a chegada, ontem, em Washington, como uma testemunha protegida, de Leamsy Salazar, que até sua saída de Caracas em dezembro era o chefe de segurança de Cabello.
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Membro da Casa Militar, encarregada da guarda presidencial, Salazar foi durante quase dez anos chefe de segurança e assistente pessoal de Hugo Chávez. Após sua morte, seus serviços foram solicitados pelo presidente da Assembleia Nacional, para quem também atuou como assistente pessoal. Salazar é o militar de posto mais alto (capitão de corveta, comparável a comandante) que rompe com o chavismo para, nos EUA, acusar formalmente os escalões superiores do país de práticas criminais, especialmente a relacionada com o tráfico de drogas.

Cartel dos Sóis

De acordo com fontes próximas à investigação aberta pela Procuradoria Federal do Distrito Sul de Nova York, Salazar afirma que o presidente da Assembleia Nacional é o líder do Cartel dos Sóis e, portanto, operador do narcoestado em que Chávez converteu a Venezuela. Salazar também vincula Cuba na proteção e no fornecimento de algumas rotas da droga que parte da Venezuela com destino aos EUA.

O Cartel dos Sóis, composto basicamente por militares (seu nome vem do emblema que o uniforme venezuelano coloca nas dragonas dos generais), tem na Venezuela o monopólio do tráfico de drogas. Esta é produzida pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e levada a seus destinos nos EUA e na Europa basicamente por cartéis mexicanos. As últimas cifras internacionais indicam que pela Venezuela passam cinco toneladas semanais de entorpecentes. Noventa por cento da droga produzida pela Colômbia passa por território venezuelano.

Como assistente de acompanhamento permanente a Cabello, Salazar testemunhou situações e conversas que incriminam o presidente da Assembleia Nacional. Especificamente, ele o viu dando ordens diretas para a partida de barcos carregados com toneladas de cocaína e forneceu elementos de prova de locais onde montanhas de dólares deste negócio ilegal são armazenadas em dinheiro, de acordo com pessoas familiarizadas com a investigação, realizada pela administração de Controle de Drogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês).

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No último dia 11 de dezembro foi preso no terminal marítimo de Puerto Cabello, o mais importante da Venezuela, um caminhão carregado com cerca de dez milhões de dólares em dinheiro. O veículo procedia dos EUA e especula-se que poderia ser um pagamento por drogas recebidas. Alguma falha na organização teria levado a sua descoberta e denúncia.

Dias mais tarde, em seu programa semanal de televisão, em vez de somar-se a suspeita de que o dinheiro estava relacionado com a droga, o presidente da Assembleia Nacional fez um esforço especial para acusar a oposição política e destinatária dos maços de dinheiro, sem fornecer qualquer prova disso.

Cabello, de formação militar, tem cultivado a liderança entre os membros chavistas das Forças Armadas, mas o passo dado por Salazar, de respeitadas trajetória e folha de serviço, pode reduzir a sua base de apoio nos quartéis. O capitão de corveta não havia sido envolvido em qualquer atividade criminal, o que reforça o valor de seu testemunho.

De acordo com suas revelações, o comando da Casa Militar também envolve Tarek el Aissami, governador do estado de Aragua e relacionado com redes islâmicas, e José David Cabello, superintendente do Seniat (agência fiscal e aduaneira) e ministro da Indústria, que é irmão do presidente da Assembleia Nacional. José David Cabello seria responsável pelas finanças do Cartel dos Sóis. Salazar aponta como instância para a lavagem de dinheiro a companhia nacional de petróleo, PDVSA, cujo presidente entre 2004 e 2014, Rafael Ramirez, foi nomeado em dezembro embaixador ante o Conselho de Segurança da ONU.

Seu testemunho, de acordo com as citadas fontes próximas à investigação, ratificou muitos dos dados que já passara a DEA Eladio Aponte, que foi chefe de seção do Supremo Tribunal da Venezuela e, em 2012, fugira para os EUA como testemunha protegida.

O caso contra Diosdado Cabello está intimamente ligado à acusação formal anunciada no ano passado pelos ministérios públicos federais de Nova York e Miami contra o general da Venezuela, Hugo Carvajal, durante muito tempo chefe da Direcção de Inteligência Militar. O anúncio se fizera quando Carvajal, vulgo “o Frango”, foi preso em julho na ilha holandesa de Aruba, vizinha da Venezuela, a pedido dos EUA, que exigiu a sua extradição. No entanto, Aruba permitiu a fuga do general graças às pressões do governo Maduro. Carvajal vinha sendo considerado o grande operador do Cartel dos Sóis, mas a informação de Salazar situa “o Frango” sob as ordens de Cabello.

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Em relação ao vínculo com Havana, Salazar teria mencionado o uso regular de aviões da PDVSA para transportar droga em voos preparados pelo filho de Chávez e o filho de German Sanchez Otero – que foi embaixador de Cuba em Caracas até 2009 -, com conivência deste e de outros funcionários cubanos. O destino final dos carregamentos teria sido os EUA.

As fontes relacionadas com a investigação especulam que Sanchez Otero, de grande sintonia com Chávez, foi removido do cargo de embaixador depois da descoberta de um esconderijo em um desses voos, o que resultou embaraçoso para o regime castrista. O filho do embaixador, que na ocasião viajava sozinho, foi preso, enquanto que o de Chávez passou por reabilitação para o vício.

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Luciana Camargo
Folha Política
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