terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Fidel Castro rompe o silêncio e afirma, em carta, que não confia nos EUA


Imagem: AFP
O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou na noite desta segunda-feira que não confia nos Estados Unidos, mas não rechaçou a retomada das relações anunciada por seu irmão e sucessor Raúl Castro e pelo presidente Barack Obama. Quebrando o silêncio sobre o histórico degelo entre os dois países, o líder cubano, no entanto, sinalizou que não manteve nenhum diálogo com Washington.

"Não confio na política dos Estados Unidos, nem troquei uma palavra com eles, sem que isso não signifique uma rejeição a uma solução pacífica dos conflitos", disse Fidel em carta dirigida à Federação Estudantil Universitária e lida na TV cubana.

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A opinião de Fidel sobre o processo de normalização das relações com os Estados Unidos ocupa os dois últimos parágrafos de uma carta de duas páginas, com referências autobiográficas e reflexões sobre a História política universal e cubana. O texto é datado de 26 de janeiro de 2015, às 12h35 (locais).

"Qualquer solução pacífica e negociada dos problemas entre os Estados Unidos e as pessoas ou quaisquer povos da América Latina, que não implique força ou a utilização da força, deverá ser tratada de acordo com os princípios e as normas internacionais. Defenderemos sempre a cooperação e a amizade com todos os povos do mundo e, entre eles, e os dos nossos adversários políticos. Isto é o que estamos pedindo a todos", continua a carta.

O líder da revolução cubana, de 88 anos, não criticou o acordo anunciado pelo irmão Raul e por Obama, no dia 17 de dezembro, em que ambos países reestabeleceram suas relações, após meio século de rompimento. Sobre o desempenho de seu irmão nas negociações, o texto afirma:

"O presidente de Cuba tem dado passos pertinentes de acordo com suas prerrogativas e com as faculdades que a Assembleia Nacional e o Partido Comunista de Cuba concebem a ele", completou Fidel.

O silêncio de Fidel Castro sobre o acordo firmado entre Cuba e EUA havia aumentados os boatos sobre a sua morte e estado de saúde no começo do mês, até que o ex-jogador argentino Diogo Maradona, anunciou há duas semanas ter recebido uma carta do ex-presidente.

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