sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Para 'Economist', erros de Dilma no primeiro mandato indicam que o segundo será tempestuoso


Imagem: Ueslei Marcelino / Reuters
Já na primeira edição de 2014, a revista britânica The Economist fez duas matérias sobre o Brasil, sendo que nenhuma delas foi positiva. Uma matéria foi sobre a Petrobras e a outra, sobre os desafios econômicos da presidente Dilma Rousseff em seu segundo mandato como presidente do Brasil. 

A revista destacou que, enquanto esperou-se que o dia da cerimônia de posse de Dilma Rousseff fosse ensolarado - o que de fato ocorreu - as perspectivas para os próximos 4 anos são sombrias. "Os erros de Dilma Rousseff durante seu primeiro mandato presidencial significa que o seu segundo mandato será tempestuoso", ressalta a reportagem.

Sua "assustadora" lista de tarefas inclui reparar as relações com os EUA, abaladas após a revelação de que a agência NSA grampeou os telefonemas de autoridades brasileiras, além de conter o desmatamento da Amazônia - que subiu após uma década declínio -além dos desafios com a seca e a ameaça de racionamento de energia no sudeste.

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Além disso, os preparativos para as Olimpíadas de 2016, a serem sediadas no Rio de Janeiro, podem representar uma reedição da Copa do Mundo de 2014, que o Brasil também sediou, com orçamentos estourando e atrasos. 

Segue a isso o fato de que o PT e seus aliados estão envolvidos em um escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras, a gigante estatal de petróleo, embora até agora Dilma não esteja diretamente envolvida. 

Mas é a economia onde as nuvens de tempestade estão mais altas e ameaçadoras, afirma a publicação, com o fim do superciclo de commodities e com as políticas do primeiro mandato se mostrando desastrosas, afirma a revista. Ela destaca que uma combinação de frouxidão macroeconômica e intervenção microeconômica afetaram as finanças públicas e minaram a credibilidade. "Se o seu segundo mandato será melhor, ela terá de desfazer muito do que ela fez no primeiro".

Dilma Rousseff começou a virada recrutando Joaquim Levy, conhecido pela austeridade, e colocando Nelson Barbosa, um respeitado economista, para o Ministério do Planejamento, além de manter Alexandre Tombini no comando do Banco Central, mas com a indicação de colocar a inflação no centro da meta de 4,5% ao ano. Para a Economist, o cenário será complicado para Levy, que terá que enfrentar problemas, devendo ter um ambiente mais favorável em 2016. Porém, o cenário pode ser mais difícil para Dilma.

"Os esquerdistas do PT e seus simpatizantes em sindicatos e movimentos sociais desdenham de Levy, a quem eles chamam de 'Mãos de Tesoura'. Já aliados do partido no governo estão em um estado de espírito rebelde", afirma. Além disso, o caso da Petrobras pode diminuir ainda mais o capital político da presidente.

"A austeridade também vai bater sua popularidade. Os preços da gasolina já subiram; energia elétrica e transporte público são os próximos. Qualquer ajuste fiscal e monetário grande o suficiente para restaurar as finanças públicas é certo para empurrar para cima a taxa de desemprego, que agora está perto de uma baixa recorde de cerca de 5%".

Segundo a The Economist, o ideal é que Dilma deixe Levy à distância, e use o escândalo da Petrobras para revitalizar as indústrias de petróleo e de construção em dificuldade, abrindo-se à concorrência estrangeira. "Mas, tendo prometido brasileiros que o apertar de cintos seria indolor, ela pode desatar as primeiras pontadas de desconforto. Mesmo se ela não o fizer, seu apetite recém-encontrado para as reformas não será acompanhado por sua capacidade de realizá-los".

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Lara Rizério 
Infomoney
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