segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Dilma se omite, mas governos de Chile e Colômbia condenam prisão de prefeito de Caracas


Imagem: AFP
Os governos do Chile e da Colômbia se manifestaram nesta sexta-feira sobre a prisão do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, acusado pelas autoridades locais de participar de uma tentativa de golpe.


Através de seu porta-voz, Alvaro Elizalde, o Ministério chileno das Relações Exteriores afirmou que entrou em contato com o embaixador chileno para Caracas para reunir informações sobre a prisão do prefeito.

— Há uma preocupação de que o cenário de polarização na Venezuela torne-se um obstáculo significativo para o diálogo entre o governo e a oposição na busca pelo fortalecimento da democracia — afirmou o porta-voz, que destacou as iniciativas promovidas pelo Chile na União das Nações Sul-Americanas (Unasul) para fomentar o diálogo político na Venezuela.

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A presidente do Senado chileno, Isabel Allende, escreveu no Twitter que o governo da presidente Michelle Bachelet “deve manifestar sua preocupação pela detenção de Ledezma”. Já o ex-presidente nacional Sebastián Piñera, classificou como “brutal” a prisão do prefeito, e afirmou que a ação “deve ser repudiada por todos os democratas, incluindo os governo, em especial, o chileno”.

Na Colômbia, o presidente Juan Manuel Santos pediu que os direitos dos membros do posição venezuelana sejam respeitados.

“Já manifestamos nosso desejo de que os opositores tenham seus direitos respeitados, e inclusive pedimos a libertação de Leopoldo López. No caso do prefeito Antonio Ledezma, também esperamos que ele conte com todas as garantias para um devido processo legal”, afirmou o presidente colombiano em comunicado.

Silêncio no continente

No resto da América do Sul, os governos não se manifestaram publicamente sobre a prisão de Antonio Ledezma. Logo após receber as credenciais da nova embaixadora da Venezuela no Brasil, Maria de Lourdes Urbaneja Durant, a presidente Dilma Rousseff se negou a fazer julgamento sobre a prisão do prefeito de Caracas, que é da oposição ao governo Nicolás Maduro.

— Eu não posso receber um embaixador com base nas questões internas do país. Eu recebo os embaixadores com base nas relações que eles estabelecem com o Brasil. Então, o foco nosso é, fundamentalmente, nessas relações. E é isso que explica o fato da gente ter postergado o recebimento das credenciais da Indonésia. Não é nenhuma questão interna da Indonésia — disse Dilma em rápida entrevista coletiva após a cerimônia diplomática no Palácio do Planalto.

Já o PSDB condenou a prisão e criticou o silêncio dos governos do Mercosul sobre o caso.

“É com indignação e crescente preocupação que assistimos à escalada de violência praticada pelo governo da Venezuela contra aqueles que divergem democraticamente do regime do presidente Nicolás Maduro”, diz uma nota assinada, entre outros líderes, pelo senador Aécio Neves, presidente do PSDB e ex-candidato presidencial. “Consideramos inconcebível que um país-membro do Mercosul continue a desrespeitar as cláusulas democráticas que regem o bloco sem que os demais integrantes, como é o caso do Brasil, sequer se pronunciem a respeito”.

No Uruguai, o Partido Nacional (PN), principal força da oposição criticou hoje o fato do governo não ter se pronunciado sobre a prisão do prefeito de Caracas.

“O Uruguai deve adotar uma posição firme no Mercosul e em outros órgãos sobre a situação na Venezuela. E não olhar para o lado!”, afirmou em sua conta na rede social Twitter o senador e ex-candidato à presidência Luis Lacalle Pou.



“Vergonha da Venezuela. Os criminosos são aqueles que pensam de forma diferente. Governo uruguaio em silêncio!!”, exclamou, também no Twitter, o senador do PN, Jorge Larrañaga, ex-candidato a vice-presidente.

O ex-presidente do Uruguai, Jorge Batlle, do Partido Colorado (PC), disse que o governo venezuelano “todos os dias dá um passo além para consolidar seu poder ditatorial sobre o povo. Na Venezuela, a Justiça, bem como a Justiça Eleitoral, controlada e gerida pelo governo, destruiu os princípios essenciais da democracia”.

Até agora não houve um pronunciamento da Organização de Estados Americanos (OEA) sobre a prisão de Ledezma, embora o secretário-geral, José Miguel Insulza, tenha afirmado na segunda-feira que a libertação de líderes da oposição ajudaria a criar um ambiente propício para o diálogo que a Venezuela precisa para sair de sua crise. A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, pediu que o órgão convoque uma reunião em caráter de emergência para discutir a prisão de Ledezma, que classificou como “um golpe brutal aplicado contra a democracia”.

O diretor para as Américas da Human Rights Watch (HRW), José Miguel Vivanco, disse nesta sexta-feira “que frente à arbitrariedade do governo venezuelano, a única esperança são reações "fortes" da comunidade internacional”.

A secretaria-geral da União das Cidades Capitais Iberoamericanas (UCCI) pediu nesta sexta-feira que as autoridades venezuelanas respeitem os direitos constitucionais do prefeito de Caracas.

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O Globo
Editado por Folha Política
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