segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

PT lança cartilha ensinando deputados a 'driblar' a imprensa


Imagem: Reprodução
Deputados e assessores da bancada do PT na Câmara receberam um manual do partido para orientar os parlamentares da nova legislatura em como lidar com a imprensa e também dá dicas sobre o funcionamento da Casa. O livreto é crítico em relação aos veículos de circulação nacional, chamados de “imprensa tradicional” no texto, e recomenda ao deputado falar pouco durante entrevistas, deixando nas entrelinhas que a pauta da reportagem pode ser uma “tese” na qual a direção do jornal, da rádio ou da TV querem ver comprovada de qualquer maneira.


"A pauta vale mais do que a realidade. Mesmo que o fato não corresponda a ela, acaba prevalecendo no noticiário de determinados veículos a versão previamente preparada pelas chefias ou mesmo uma fonte com interesse específico em distorcer a realidade"— diz o manual.

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O documento, nominado "#PT na Câmara - Guia de Funcionamento da Câmara dos Deputados e da Liderança do PT", recomenda ao deputado distinguir o jornalista - “o trabalhador assalariado” - da empresa para qual trabalha para evitar conflitos desnecessários no relacionamento entre parlamentares e os profissionais da imprensa. Ainda assim, afirma o manual, o repórter é influenciado de várias formas pelos interesses dos que controlam os meios de comunicação.

"Normalmente, o repórter escreve a notícia a partir de uma pauta. A pauta pode partir da chefia imediata, quando o repórter tem mais possibilidade de influir, ou pode vir fechada da direção do jornal, com poucas chances de alteração".

O texto sugere duas alternativas caso a fonte, o parlamentar petista, discorde da tese: não conceder a entrevista ou tentar derrubá-la com argumentos. “Nesse último caso, é preciso ter paciência, mas pode, surtir efeito (derrubar a entrevista), especialmente nos casos mais flagrantes de distorção premeditada. Na regra, porém, prevalecem as "teses" das redações”.

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Para os petistas, desde 2003, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito, a imprensa tenta colocar a opinião pública contra os governos do partido, e cita que o que se viu nos últimos anos é uma população "vacinada contra manipulações". O manual diz também que o poder da internet e das novas mídias e as redes sociais têm esvaziado o poder de manipulação da imprensa tradicional. "No caso das mídias sociais e dos blogs alternativos, o parlamentar tem chance de dar um recado mais direto, sem o filtro ideológico imposto pela grande mídia".

Para o PT, de tudo que acontece no Congresso Nacional pouco é publicado pela grande imprensa, principalmente medidas que afetam segmentos mais pobres. "Às vezes, decisões importantes, que vão refletir o dia a dia do cidadão, ficam no anonimato. Decisões que impactam positivamente a vida das camadas mais pobres da sociedade ou são ignoradas ou, quando saem, às vezes têm um viés preconceituoso". O partido diz que boa parte do que é publicado tem enfoque negativo e generalista.

OS PRINCIPAIS PONTOS DA CARTILHA:

1 - Fale pouco, a entrevista pode ser uma tese contra você para distorcer a realidade
2 - Saiba distinguir o jornalista da empresa para qual ele trabalha
3 - Se discordar do tema não dê entrevista ou derrube a pauta com argumentos
4 - Dê preferências a blog alternativos e redes sociais para dar um recado sem filtro ideológico

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Evandro Éboli
O Globo
Editado por Folha Política
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