quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

PT vai expulsar quem votar a favor da reforma política na Câmara


Imagem: Divulgação
Depois que deputados do PT foram acusados de, na votação secreta, apoiar a eleição do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente do partido, Rui Falcão, comunicou à bancada petista, nesta quarta-feira, que será expulso da sigla quem votar a favor da proposta de reforma política colocada em pauta pelo peemedebista.


- O partido tem posição fechada sobre esse assunto e não vai aceitar indisciplina - disse Falcão, em reunião da bancada, de acordo com deputados do PT.

Desde a reforma da previdência proposta pelo governo Lula, em 2003, que o PT não trata uma matéria legislativa dessa forma. Naquela época, foram expulsos a então senadora Heloísa Helena (AL) e os deputados Luciana Genro (RS), Babá (PA) e João Fontes (SE). A diferença é que, naquela ocasião, os parlamentares acusavam o PT de trair bandeiras históricas. Agora é o partido que cobra dos deputados fidelidade a conteúdos programáticos.

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O PT adotou a reforma política como bandeira ética após o escândalo do mensalão e, ao ser surpreendido pelas manifestações de junho de 2013, passou a defender um plebiscito sobre o assunto como forma de tentar recuperar sua conexão com as ruas.

O principal ponto de divergência entre o PT e a proposta colocada em pauta pelo presidente da Câmara está no financiamento de campanha. Os petistas defendem o fim das doações de empresas privadas. Já a proposta que teve sua votação acelerada por Cunha inclui essa fonte de contribuição financeira na Constituição, no momento em que a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal já votou pela proibição das doações de empresas. O placar está 6 a 1 e ainda faltam os votos de quatro magistrados.

Além das supostas traições à candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara, o alerta de Falcão quanto à reforma política tem precedente no PT. Em 2013, o então deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) foi execrado pelo partido, e virou persona non grata até hoje, por ter se aliado ao PMDB na discussão desse assunto. Os petistas se referem à proposta de reforma política pautada agora por Cunha como “a PEC do Vaccarezza”.

Na reunião da bancada do PT, nesta quarta-feira, os deputados se mostraram assustados e surpresos com a atuação de Eduardo Cunha em plenário na noite anterior, quando conseguiu acelerar a votação da reforma política que contraria os petistas.

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Fernanda Krakovicz
O Globo
Editado por Folha Política
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