sábado, 28 de março de 2015

Cerveró também é investigado nos desvios da Receita


Imagem: Dida Sampaio / Estadão
A Operação Zelotes investiga o envolvimento do ex-diretor Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró com o grupo acusado de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), espécie de “tribunal” que julga recursos de grandes contribuintes em débito com a Receita Federal.

Os investigadores suspeitam que Cerveró atuou perante advogados e conselheiros investigados como representante de fornecedores da estatal endividados com a Receita. Cerveró também é alvo da Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobrás. Ele está preso, acusado de cobrar propina de empreiteiras em troca de contratos na diretoria que comandava na petroleira.

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E-mails. Uma das evidências colhidas na Operação Zelotes são e-mails trocados entre advogados e empresários com Edison Pereira Rodrigues, apontado pelos investigadores como um dos mentores do esquema. Ele presidiu o 1.º Conselho de Contribuintes – órgão que antecedeu ao Carf –, deixando as funções em 2005.

Cerveró aparece como destinatário de algumas dessas mensagens, de 2010, quando era diretor da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás. Os responsáveis pela Zelotes estão em contato com a força-tarefa encarregada da Lava Jato para aprofundar as investigações sobre a ligação do ex-diretor com o esquema.

Edison Rodrigues é descrito como um gênio na área tributária e atuaria em parceria com a filha, Meigan Sack Rodrigues, conselheira do Carf e dona de um escritório. Rodrigues seria procurado pelas grandes empresas por causa das relações que mantém no órgão e de seu amplo conhecimento.

Procurado pelo Estado, o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, disse que a suspeita de envolvimento de seu cliente em fraudes no Carf não passa de uma “ilação fantasiosa”, despida de elementos probatórios.

Ele afirmou que não pode se pronunciar com base em “hipóteses”, mas adiantou que falará com o ex-diretor a respeito, em visita marcada para a próxima semana no Complexo Médico Penal em Curitiba.

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O Estado telefonou para o escritório Sack Rodrigues nesta sexta-feira, mas a atendente, que não se identificou, disse que tanto Meigan quanto o pai estavam viajando e não poderiam dar entrevista.

Carros de luxo. A Polícia Federal apreendeu na quarta-feira, em Brasília, R$ 1,8 milhão em dinheiro com acusados de envolvimento no esquema de corrupção no Carf. Além do dinheiro, também foram apreendidos 16 carros de luxo, alguns das marcas Porsche e Mercedes-Benz, três motocicletas e joias.

O diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Oslain Santana, disse na quarta-feira que conselheiros do Carf deixavam o órgão para montar escritórios de advocacia e cooptar empresas para o esquema de corrupção. Segundo ele, a PF poderá utilizar a delação premiada nas investigações.

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Fábio Fabrini e Andreza Matais
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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