terça-feira, 24 de março de 2015

CPI da Petrobrás aprova convocações de tesoureiro do PT e presidente do BNDES


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Ignorando requerimentos de convocação de políticos e de grandes empreiteiros, a CPI da Petrobrás decidiu na tarde desta terça-feira, 24, convocar o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e o operador Mário Goes, bem como quebrar sigilos bancário, telefônico e fiscal do ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque e do ex-gerente de Serviços da Petrobrás Pedro Barusco, que será ouvido novamente pela comissão.

Ao todo, os deputados aprovaram 96 requerimentos, objetos de acordo entre membros da CPI que se reuniram pela manhã. Dentre os convocados estão Vaccari Neto; o presidente do BNDES, Luciano Coutinho; o presidente do Comperj, Nilo Vieira; Venina Velosa, ex-gerente-executiva da Diretoria de Refino e Abastecimento da Petrobras; Agusto Medonça, executivo da Toyo Setal; Auro Gorentzvaig, ex-conselheiro e acionista da Petroquímica Triunfo. Também será convocado Mário Góes, tido como um dos operadores do esquema de corrupção da estatal.

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Conforme o Estado divulgou na semana passada, partidos que integram a CPI fizeram acordo para não convocar políticos para prestar depoimento. Se os investigados quiserem, podem se apresentar espontaneamente. Até o momento, apenas o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), falou voluntariamente.

Também foi aprovada a convocação do executivo da Toyo Setal Augusto Mendonça. O ex-gerente da Diretoria de Serviços da Petrobrás Pedro Barusco voltará à CPI para depor numa das sub-relatorias. O presidente do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), Nilo Vieira, também integra a lista dos convocados.

Foram aprovados requerimentos para ouvir representantes de 29 empresas que tiveram negócios com a Petrobrás para a construção de navios-sonda. Os deputados também votaram pedido para que a CPI tenha acesso às imagens do circuito de segurança de hotéis no Rio onde os envolvidos no esquema de corrupção na estatal se encontravam. Outro requerimento aprovado pediu cópias de todas as denúncias feitas entre 2005 a 2015 na Ouvidoria da estatal.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) criticou requerimentos genéricos para convocação de "representante legal" de empresas que foram colocados em pauta, mas os documentos foram aprovados.

Pedro Barusco foi novamente convocado pelo sub-relator André Moura (PSC-SE).

"Peço a reconvocação do senhor Pedro Barusco porque muito do que ele disse diz respeito à nossa sub-relatoria", disse Moura. O ex-gerente será ouvido em separado, na sub-relatoria. A comissão possui quatro sub-relatorias.

Nesta quinta-feira, 26,, a CPI espera ouvir a ex-presidente da Petrobrás Graça Foster, já ouvida em CPIs realizadas no ano anterior. O representante da SBM Offshore no Brasil, Júlio Faerman, havia sido convocado para esta quinta, mas não foi localizado pela comissão.

Alguns requerimentos do deputado Valmir Prascidelli (PT-SP) não foram considerados na votação por abranger acesso a contratos assinados em um período anterior ao que é investigado pela CPI. Até o mês passado, o PT tentava ampliar as investigações até o governo de Fernando Henrique Cardoso. A CPI está limitada aos anos de 2005 a 2015.

A CPI também aprovou o requerimento de compartilhamento das interceptações telefônicas feitas pela Operação Lava Jato, assim como de contratos e documentos da Petrobrás. A comissão também vai solicitar à Polícia Federal imagens do circuito de câmeras de segurança dos hotéis onde Barusco disse ter realizado encontros com Duque para tratar de propinas.

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A comissão aprovou ainda requerimento de acesso às denúncias de irregularidades recebidas pela ouvidoria-geral da Petrobrás entre 2005 e 2015. Os deputados também requisitarão à CGU (Controladoria-Geral da União) e à AGU (Advocacia-Geral da União) cópias de memorandos referentes a possíveis acordos de leniência. 

Mulher. Sob protestos da oposição, a comissão encerrou a sessão deliberativa sem votar nesta tarde a convocação da mulher de Renato Duque. A oposição queria ouvir Maria Auxiliadora Tibúrcio Duque para que ela esclarecesse suposta ida ao Instituto Lula, em São Paulo, e o pedido de intervenção a favor de seu marido, preso na ocasião pela primeira vez na Operação Lava Jato. "O que essa senhora sabe que libertou Renato Duque?", protestou Onyx Lorenzoni (DEM-RS). 

Em razão do início das votações no plenário da Casa, o presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), não prosseguiu com a sequência de votação de requerimentos. Também havia pedidos de acareação entre Duque e seu ex-gerente da Diretoria de Serviços Pedro Barusco, e de Barusco e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

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Daiene Cardoso e Daniel Carvalho 
O Estado de S. Paulo
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