terça-feira, 31 de março de 2015

Documento 'perturbador' mostra que esquema de fraudes 'vai muito além da Petrobras', diz juiz Moro


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava-Jato, disse nesta sexta-feira (27) que foi apreendida uma tabela do doleiro Alberto Youssef sugerindo que o esquema de fraude à licitação, sobrepreço e propina “vai muito além da Petrobras”. Para Moro, o documento é “perturbador”. 

Segundo o relato do juiz, a tabela relaciona cerca de 750 obras públicas “nos mais diversos setores de infraestrutura”. Contém informações como a entidade pública contratante, a proposta, o valor, o cliente (empreiteira) do referido operador e o contato na empreiteira.

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“Embora a investigação deva ser aprofundada quanto a este fato, é perturbadora a apreensão desta tabela nas mãos de Alberto Youssef, sugerindo que o esquema criminoso de fraude à licitação, sobrepreço e propina vai muito além da Petrobrás”, afirma o juiz em texto.

Moro também lembra que Pedro José Barusco Filho, ex-gerente da área de serviços e engenharia da Petrobrás, já narrou que houve um esquema similar de pagamento de propinas a partir de 2011 na Sete Brasil, que tem contratos de construções de sondas celebrados com a Petrobras. As investigações sobre esse caso também envolvem as empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato. Entre elas, a Galvão Engenharia. 

As afirmações de Moro estão em despacho que autorizou a prisão do presidente e sócio do grupo Galvão, Dario de Queiroz Galvão. O executivo já figurava como réu em processo da Lava-Jato, mas ainda não havia sido detido. Segundo o juiz, Youssef o teria indicado como corresponsável pelo pagamento de propinas, mas “sem muita segurança”. Por isso, Moro não havia autorizado a prisão dele. Depois disso, no entanto, o juiz narra que “o quadro probatório alterou-se, significativamente”. 

Algumas das provas — como mensagens trocadas — que comprometem Dario foram fornecidas pelo delator Shinko Nakandakari, que seria o operador da Galvão no esquema. “Em algumas das mensagens, há referência expressa a Dario Galvão e ao conhecimento por ele acerca dos fatos”, afirma o juiz. “Tais notas e mensagens corroboram o depoimento de Shinko Nakandakari no sentido de que Dario Galvão não só tinha conhecimento das propinas, mas era o efetivo mandante de suas realizações”, diz. 

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Fábio Pupo e André Guilherme Vieira 
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