sexta-feira, 6 de março de 2015

‘Eles só defendem bandidos’, diz deputado sobre Comissão de Direitos Humanos


Imagem: Fernanda Calgaro / G1
O deputado Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ) surpreendeu os parlamentares que integram a Comissão de Direitos Humanos, na quarta-feira, quando apresentou sua candidatura avulsa à presidência da comissão. Empurrado pela bancada evangélica, ele atropelou o acordo de lideranças, que havia destinado a cadeira de presidente ao PT. O comando do partido do pastor reagiu nesta quinta-feira, anunciando o rebaixamento dele do cargo de titular na comissão. Como suplente ele não pode se candidatar à presidência.



Em entrevista ao Estado, o deputado carioca qualificou a decisão de seu partido, presidido por Gilberto Kassab, como “um estupro partidário do PT no PSD”. Também explicou os motivos pelos quais resolveu disputar a presidência do grupo: “Lamentavelmente, a comissão só defende bandido.”

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Cavalcante tem 40 anos e está em sua primeira legislatura. Faz parte da Igreja Assembleia de Deus e é politicamente apadrinhado pelo pastor Silas Malafaia. Ocupa o cargo de primeiro tesoureiro na Frente Parlamentar Evangélica, que se opõe à união entre pessoas do mesmo sexo.

A direção de seu partido divulgou nota nesta quinta-feira anunciando que o senhor não é mais titular na Comissão de Direitos Humanos. Como vê essa decisão?
Eu vejo como um estupro partidário do PT no PSD.

Na mesma nota o partido indica o senhor para o cargo de relator da comissão especial que vai discutir o projeto de lei conhecido como Estatuto da Família.
Não tenho interesse nenhum nessa relatoria.

Como suplente, o senhor não pode mais se candidatar à presidência da comissão. O que pretende fazer agora?
Estou buscando amparo no bloco, para ver se algum partido me concede a oportunidade de concorrer. Minha equipe de assessores também procura alguma brecha regimental para que eu possa continuar.

Já tem algum partido em vista?
Estou conversando com os colegas.

Por que o senhor quer a presidência da comissão?
Entendo que é uma comissão muito ideológica, composta por membros dos dois extremos – os da extrema direita e da extrema esquerda. Como minha posição é de centro, gostaria de ser o árbitro entre os extremos. Assim vamos contribuir para o País melhorar o seu conceito quanto a direitos humanos, respeitando as minorias, mas também valorizando aqueles que têm outro pensamento de vida.

O que considera mais preocupante na área de direitos humanos no País?
Lamentavelmente, essa comissão só defende bandido e não defende a vida do cidadão brasileiro. Existem temas que a sociedade quer tratar na comissão, mas eles são impedidos por um extremo ou pelo outro. É preciso fazer o diálogo e a discussão. No final, a maioria decide no voto.

Que temas são impedidos?
Quando a esquerda vê que não tem maioria, não bota em discussão temas como aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo. Isso tem que ser decidido no voto.

Em termos de direitos humanos, uma maioria não pode sufocar os direitos de uma minoria. Isso se aplica, por exemplo, a minorias étnicas, religiosas, sexuais. Por esse pensamento, os direitos civis de um grupo religioso minoritário não podem ser menores que os de um grupo majoritário. Uma das tarefas de comissões de direitos humanos é proteger essas minorias. O que acha disso?
As minorias precisam ser protegidas e respeitadas. Como evangélico, entendo desse assunto na pele. Nós fomos muito menores e continuamos sendo minoria no País. Por isso me sinto avalizado para presidir a comissão.

Também defenderia minorias sexuais?
Eu repudio os estados islâmicos que matam cristãos e homossexuais. Somos contra violência contra qualquer minoria. Sejam homossexuais, negros, mulheres.

Por que diz que a Comissão de Direitos Humanos só defende bandidos?
Lamentavelmente, a comissão, durante toda sua história, enquanto foi presidida por partidos de esquerda, nunca se solidarizou com mortes cruéis e injustas de policiais civis e militares. Só defende o erro. É como um Robin Hood às avessas. É o desequilíbrio da extrema esquerda.

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Roldão Arruda 
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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