domingo, 22 de março de 2015

Médico cubano relata condições de escravidão do Mais Médicos


Imagem: Reprodução / Veja
Os médicos cubanos que fazem parte do programa Mais Médicos vêm sofrendo ameaças e a exigência de que seus parentes retornem a Cuba, sob pena de substituição ou até cassação do diploma. O colunista Felipe Moura Brasil, da revista Veja, conversou com um médico, que, sob condição de anonimato, relatou as condições em que vivem e trabalham esses profissionais. 
Leia abaixo o texto completo:

Com a cumplicidade da presidente Dilma Rousseff, que finge lutar por democracia e liberdade, a ditadura cubana está ameaçando desde janeiro cassar o diploma de profissionais do programa “Mais Médicos” que insistirem em manter seus familiares no Brasil. Em outras palavras: para evitar deserções, os irmãos Castro querem sequestrá-los e mantê-los como reféns.
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A Folha informa neste sábado (21) que “outra forma de pressão tem sido reter em Cuba o médico que sai de férias (e que precisa obrigatoriamente gozá-las na ilha). Ele só poderá retornar ao Brasil se, antes, o parente voltar para a ilha”.
Eu conversei a respeito com um médico cubano, que estipulou a condição comum aos denunciantes do programa: “Peço que o nome não seja revelado, nem o município, nem os parentes, porque eles têm todos os dados e vão reconhecer. Passei muita humilhação pelo governo cubano. Se vocês citam os nomes, eles vão saber que fomos nós que falamos.”
Funcionários a serviço da ditadura tentaram convencê-lo a mandar parentes de volta a Cuba. Direta ou indiretamente, segundo ele, todos os profissionais foram avisados.
Veja suas declarações a este blog para entender como Dilma segue na luta pela ditadura:
“Se a família não voltasse em 30 dias, os médicos seriam desligados. Deram uma data até 31 de janeiro [mas a notícia vazou]. Até agora não fomos expulsos, mas ainda estamos esperando.”
“Temos vários assessores que trabalharam para o governo de Cuba. Quando Cuba precisa ameaçar, eles nos ameaçam. Eles ganham um salário muito superior ao nosso, que é repassado a eles do nosso salário.”
“Os vigias estão ganhando cerca de 5.600 reais. Somos nós quem trabalhamos, eles só estão aqui para controlar os médicos cubanos.”
“Como todas as pessoas estão denunciando, eles estão ameaçando menos, mas sugerem de uma forma delicada que podemos ser desligados do programa. Tudo que eles falam para nós é muito amável, mas há sempre uma ameaça por trás. Sempre vem uma ameaça ao final.”
“Eles defendem os interesses do governo cubano. Somos tratados como se fôssemos propriedade do governo e, se falamos algo, somos deportados para Cuba.”
“Aqui no Brasil temos muitas dificuldades. Trabalhamos em condições que às vezes não dão privacidade, não tem recusos no hospital, faltam remédios e ambulâncias, os remédios no Brasil são muito caros. Não temos muitas vezes como lavar as mãos.”
“Tinham nos dito em Cuba que ‘com 50 reais, um médico se alimenta por uma semana no Brasil’. Quando chegamos, vimos que não era assim.”
“Também disseram que a casa seria confortável, outra mentira. Moramos em casas sem cadeira, sem mesa. Quando a cama quebra, temos de dormir no chão.”
“Não temos outra escolha. Se você não assina o contrato do programa, você fica em Cuba trabalhando de segunda a sábado, de 8 da manhã às 7 da noite, ganhando o equivalente a 25 dólares mensais. É obrigatório fazer plantão de graça. Trabalhamos 50 horas semanais em Cuba. Se você compra um par de sapato, uma calça, o dinheiro já não dá para a alimentação. Então é muito difícil.”

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Cubanos do Mais Médicos estão em situação de escravidão, diz Ives Gandra da Silva Martins

“O tratamento do governo cubano aos seus médicos é de escravo. Não temos direito a nada.”
“Um médico que trabalha em Cuba só pode sair do país com autorização do governo. O dinheiro é um salário X. Se o dólar sobe, nós continuamos ganhando o mesmo dinheiro. Ganhamos a mesma quantidade, mesmo com a inflação.”
“Nós, médicos que trabalhamos fora de Cuba, sustentamos a economia do país. O governo depende de nós.”
“Castro é um grande ditador. Estar há mais de 50 anos no governo mostra isso.”
“Eles dizem que é um governo popular. É mentira. A população não vota para presidente, vota para prefeito, que vota para governador estadual, que vota para presidente. Mas não é direto.”
“É uma ditadura. Se você não pode falar, não tem direito a falar livremente, trabalhar onde quer, sair do país para conhecer outros, é uma ditadura.”

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Luciana Camargo
Folha Política
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