sexta-feira, 27 de março de 2015

‘Tinha esse pleito do Palocci para atender a campanha da dona Dilma’, diz ex-diretor da Petrobrás


Imagem: Reprodução / Jogo do Poder
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Operação Lava Jato, disse que o doleiro Alberto Youssef, personagem central da trama de corrupção e propinas na estatal petrolífera, o procurou em 2010 e disse que o ex-ministro Antonio Palocci, da Fazenda, pediu uma contribuição de R$ 2 milhões para a campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. Os relatos de Costa na delação premiada foram todos gravados em vídeo pela força tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.



Veja o vídeo: 


Ao ser questionado sobre repasse de valores para a campanha de 2010 da Presidência da República, o ex-diretor da Petrobrás declarou. “Alguns fatos como esse específico, as pessoas falavam diretamente com o Youssef. Outros fatos, as pessoas falaram comigo. Ministro Lobão falou comigo. Pessoal aqui do governo do Rio falou comigo, não tem nada a ver com o Youssef. Senador Sergio Guerra, falecido, falou comigo.”

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No início do mês, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou para a Justiça Federal no Paraná, base da Operação Lava Jato, representação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para investigação sobre o ex-ministro chefe da Casa Civil do governo Lula, Antonio Palocci. Como não detém foro privilegiado, Palocci fica sujeito à investigação da Polícia Federal.

A ordem de investigação á amparada no depoimento de Costa. Ele disse que conheceu Palocci em 2004. Na ocasião, Palocci era membro do Conselho de Administração da Petrobrás. Dilma presidia o Conselho de Administração da estatal e ocupava o cargo de ministra das Minas e Energia.

Sobre o episódio em que cita Palocci, Costa declarou. “O Youssef me trouxe numa reunião que eu tive com ele. Ele falou: ‘ministro Palocci está pedindo aqui uma contribuição para a campanha da Dilma Rousseff em 2010 de R$ 2 milhões. Podemos dar? Pode, pode dar. Eu autorizei o Youssef a fazer. Mas quem me trouxe esse assunto foi o Youssef e quem operacionalizou foi o Youssef. Eu não tive nenhum contato nem com o Palocci e muito menos com a Dilma, sobre esse fato. Isso tudo veio pelo Youssef.”

“O Youssef falou comigo que o Palocci, não tenho certeza agora se foi o Palocci que falou com ele ou se foi um interlocutor, não posso te confirmar isso. Mas tinha esse pleito do ex-ministro Palocci para atender a campanha da dona Dilma Rousseff em 2010. ‘Paulo, pode fazer?’. ‘Faça’.”

Paulo Roberto Costa disse que não perguntou detalhes para Youssef sobre quem tinha mandado o Palocci fazer a solicitação. “Ele chegava com o pleito, fazia ou não fazia. Mas não entrava em detalhe, quem fez, como foi, tal.”

Os investigadores da Lava Jato perguntaram ao ex-diretor se as pessoas sabiam que Youssef trabalhava com ele. Ao responder essa pergunta Costa fez menção a outros quatro personagens emblemáticos da grande investigação sobre malfeitos na Petrobrás: João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal petrolífera, Fernando Soares, o Fernando Baiano, suposto operador do PMDB na Petrobrás, e Nestor Cerveró, ex-diretor de Internacional da Petrobrás – os últimos três estão presos.

“Notório. Como sabiam que o Vaccari trabalhava com o Duque, como sabiam que o Fernando Baiano trabalhava com o Nestor. Isso aí todo mundo sabia.”

Como foi feito o pagamento?, perguntaram os investigadores. ”Não sei. Não sei, porque isso o Youssef não me falava e nem eu perguntava para ele.”

Sobre o local da reunião em que Youssef falou sobre o pedido, ele disse. “Possivelmente em São Paulo.” Costa foi questionado se a presidente Dilma tinha conhecimento do esquema na Petrobrás quando exercia a função de ministra de Minas e Energia e também se Lula sabia, enquanto presidente. ”Não sei, não sei, não sei.”

Ele disse que nunca conversou sobre isso com Dilma e Lula. Também não conversou com Palocci sobre o assunto. Esse foi o único repasse para campanha presidencial que ele se recorda. Mas “não teve feedback” sobre o dinheiro, não soube se os R$ 2 milhões chegaram.

“Para mim, não. Era muito difícil alguém agradecer. O que normalmente acontecia era o cara não reclamar. O cara não voltar ao tema, mas agradecer, para ser sincero, não teve nenhum um caso.”

O criminalista José Roberto Batochio, constituído por Palocci, diz que “os depoimentos conflitantes comprovam a inocência” de Palocci. “Como vai ficar essa delação de Paulo Roberto Costa? Se ele mentiu, perderá os benefícios da colaboração.”

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Paulo Roberto Costa disse que conheceu Palocci em 2004. Na ocasião, Palocci era membro do Conselho de Administração da Petrobrás. Dilma Rousseff presidia o Conselho de Administração da estatal e ocupava o cargo de ministra das Minas e Energia. O ex-diretor da Petrobrás, indicado para o cargo em 2004 pelo PP, afirmou que esteve em “várias reuniões” com Palocci, então ministro da Fazenda. Costa afirma que, em 2010, recebeu uma solicitação, por meio de Alberto Youssef, para que fossem liberados R$ 2 milhões do caixa do PP, para a campanha presidencial de Dilma.

Questionado sobre essas declarações do ex-diretor, que lhe atribuiu participação no caso, o doleiro Youssef foi taxativo. “Esta afirmação não é verdadeira.”

Para Batochio, a contradição põe abaixo a suspeita levantada contra o ex-ministro. “Palocci não conhece, nunca viu, nunca soube da existência de Alberto Youssef. Para ele a existência (do doleiro) era desconhecida.” Segundo o criminalista, Palocci “nunca conversou” com Paulo Roberto Costa.

Batochio destaca que Palocci, em 2004, como ministro da Fazenda, pertenceu ao Conselho de Administração da Petrobrás “seguindo a tradição de que todo ministro da Fazenda é membro do colegiado”.

“(Palocci) pode ter visto Paulo Roberto Costa lá (no Conselho), mas nunca tratou com ele assunto sobre campanha eleitoral, jamais, em tempo algum.”

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Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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