sábado, 18 de abril de 2015

'Achei que seria preso na campanha e estava preparado', disse Vaccari


Imagem: Geraldo Bubniak / AGB
O tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, preparava-se desde outubro para o dia de sua prisão. Um mês após a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), o bancário de 56 anos disse a um aliado: "Achei que fossem me prender durante a campanha e estava pronto para isso."

O mantra do tesoureiro petista sempre foi o de que a Operação Lava Jato queria "transformar doações legais em ilegais e criar um fato midiático" com a sua prisão.


"Eu sei o que fiz. Nunca operei com Paulo Roberto Costa", repetia em reuniões do PT e nos corredores da sede nacional do partido, em São Paulo.

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Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Costa citou Vaccari em delação premiada como um dos operadores do esquema de desvio de recursos da estatal.

Até as vésperas de sua detenção pela Polícia Federal, nesta quarta-feira (14), Vaccari garantia a dirigentes do PT que não havia provas contra ele. "São só citações, gente falando que me conhece mas ninguém diz que me deu dinheiro ilegalmente."

No despacho de prisão do tesoureiro, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato, escreveu que Vaccari usou uma gráfica para lavar propina ao PT. A empresa, Gráfica e Editora Atitude, é do Sindicado dos Metalúrgicos do ABC e do Sindicato dos Bancários de São Paulo, do qual o petista também comandou as finanças.

Embasado pela opinião de seus advogados e com o respaldo do presidente nacional do PT, Rui Falcão, Vaccari se segurou no cargo.

A família do tesoureiro, que não queria que ele assumisse as finanças petistas, insistiu que permanecesse firme até o último minuto, mesmo sob pressão de diversos outros petistas.

O ex-presidente Lula também apoiava sua permanência à frente da tesouraria do PT mas, nos últimos dias, com o fechamento do cerco em torno de Vaccari, havia dito a aliados que preferia sua saída imediata para evitar ainda mais desgaste para o PT.

E foi Lula quem fechou com Falcão a reação petista em reunião nesta quarta-feira, no Instituto Lula. O ex-presidente orientou que o PT emitisse nota em defesa de Vaccari e que anunciasse que era ele quem pedia o afastamento do cargo, na tentativa de eximir a cúpula petista do ônus de uma saída tão protelada. 

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Marina Dias 
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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