sexta-feira, 17 de abril de 2015

Vaccari distribuiu R$ 25 milhões para petistas do Paraná em quatro anos; maior parte foi para Gleisi


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
No período de quatro anos (campanhas de 2010, 2012 e 2014) o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso pela Polícia Federal na décima segunda etapa da Operação Lava-Jato, na última terça-feira (15), distribuiu R$ 25,2 milhões para sete lideranças do PT do Paraná: a senadora Gleisi Helena Hoffmann e os deputados Enio Verri (presidente estadual do partido), Zeca Dirceu, Tadeu Veneri, Pericles Mello e Professor Lemos, além do ex-deputado André Vargas.


Gleisi foi beneficiária da maior parte dessa bolada que pode ter origem em desvios na Petrobras. Em 2010, a senadora petista recebeu R$ 1,9 milhão do diretório nacional do PT, enquanto que na campanha de 2014 o aporte foi de R$ 16,3 milhões. No total, nas duas campanhas, Gleisi recebeu R$ 18,2 milhões.

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Em 2014, 75% da campanha de Gleisi foi financiada por repasses de Vaccari, que recebeu os recursos da JBS, Sanches e Tripoloni, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, UTC, CR Almeida, Seara Alimentos, Banco Safra, entre outros. Esses valores computam apenas arrecadações feitas “por dentro”, com registro. Não entra nesse cálculo o R$ 1 milhão recebido “por fora” em 2010, pagamento denunciado pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, que valeu a Gleisi a inclusão de seu nome na fatídica “Lista de Janot”.

O presidente estadual do PT, deputado Enio Verri, que já tem duas condenações por improbidade administrativa, recebeu R$ 1,3 milhão em repasses de Vaccari. Na campanha de 2014 foram R$ 115 mil (doados por Gleisi e Andrade Gutierrez) e na campanha a prefeito de Maringá, em 2012, foram R$ 1,2 milhões em repasses do diretório nacional.

O deputado Zeca Dirceu, filho do deputado cassado e mensaleiro condenado José Dirceu, recebeu R$ 1,8 milhão do diretório nacional nas campanhas de 2010 e 2014. Em 2010, o Zeca recebeu R$ 665 mil (até 2012 não se relacionavam os doadores via diretório nacional). Em 2014, o petista recebeu R$ 1.142.086,00 através de Vaccari, na esteira de “doações” da Engevix, JBS, Carioca, Etesco, CRBS e UTC.

O deputado Professor Lemos, principal liderança da APP-Sindicato e líder da violenta invasão da Assembleia em fevereiro último, recebeu R$ 1.117,50 em repasses do diretório nacional nas campanhas de 2010 e 2012. Em 2010, foram R$ 19 mil e em 2012 mais R$ 1,098 milhão para sua campanha à prefeitura de Cascavel. Em 2012, o deputado Péricles Mello recebeu no caixa de sua campanha à prefeitura de Ponta Grossa R$ 1.683.000,00 em repasses de Vaccari.

Contudo, chama a atenção o caso do deputado petista Tadeu Veneri. Veneri, em 2011, foi investigado pelo Ministério Público pelo uso irregular de verbas de gabinete. Além das doações do tesoureiro preso, Veneri tem uma suspeita proximidade com a empreiteira Odebrecht, investigada pela Operação Lava-Jato.

Apesar de ser um crítico feroz dos pedágios e das Parcerias Público-Privadas, Tadeu Veneri foi o único candidato da Assembleia Legislativa do Paraná a receber doação da construtora Odebrecht. Na prestação de contas da campanha de Veneri, entregue ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, há o registro de duas contribuições com recursos da empreiteira: uma de R$ 71.250,00 e outra de R$ 142.500,00 – totalizando R$ 213 mil. A Odebrecht está encarregada da duplicação de rodovia no Paraná, obra que contará com pedágio.

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