quarta-feira, 6 de maio de 2015

Ausência de Dilma no programa do PT foi sugerida por Lula


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Seguindo sugestão do ex-presidente Lula, o PT excluiu depoimentos da presidente Dilma Rousseff do programa do partido exibido, em rádio e TV, na noite desta terça (5).

A orientação de Lula foi de que a propaganda se concentrasse na recuperação da imagem do PT, abalada com escândalo da Operação Lava Jato, em vez de exaltar as ações do governo Dilma.

Para se poupar de um novo panelaço, Dilma não contestou a decisão. Nos dez minutos do programa, ela teve duas rápidas aparições. Sem fala.

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Mesmo assim, foram registrados protestos com panelas em bairros de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Curitiba e Brasília durante a exibição do programa.

Tradicionalmente responsável pela propaganda do PT, o marqueteiro João Santana foi substituído pelo também baiano Maurício Carvalho, um de seus discípulos.

Segundo petistas, Santana defendia que, a exemplo das veiculações anteriores, o programa fosse destinado à louvação da gestão Dilma.

Mas, preocupado com o desgaste da sigla, o PT optou por investir na ideia do antes e depois da chegada do partido ao poder. O programa exibiu imagens do passado em preto e branco em contraposição de cenas coloridas da gestão petista.

O modelo foi discutido em reuniões no mês de março. "A mudança da linha [do programa] foi debatida internamente", disse o secretário de Organização, Florisvaldo Souza.

Além da mudanças do conteúdo, petistas afirmam que a troca de marqueteiro se deve à necessidade de redução de custos, já que o partido enfrenta dificuldades de arrecadação desde o início da Operação Lava Jato, que apura corrupção na Petrobras.

"Juntamos a fome com a vontade de comer", diz Jorge Coelho, vice-presidente nacional do partido.

Pelo formato original, o programa se limitaria à veiculações de depoimentos dos programas sociais da administração petista.

Mas Lula decidiu participar para fazer uma crítica à proposta de terceirização das chamadas atividades fim. Ele tem dito que o combate à terceirização é um instrumento de resgaste da base petista.

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"Não podemos permitir que nossa história volte para trás [...] voltar ao tempo em que o trabalhador era cidadão de terceira classe, sem direitos, sem garantias e sem dignidade", diz. "Não vamos permitir o retrocesso''.

Durante seu depoimento no programa, Lula se referiu à "marca desses 12 anos": "O PT nasceu para mudar o Brasil", afirmou.

Ainda segundo petistas, o partido decidiu incluir uma declaração do presidente da sigla, Rui Falcão, sobre corrupção ao avaliar que havia necessidade de uma abordagem política sobre o tema.

Na TV, Falcão afirmou que não permitirá que o partido seja criminalizado e que outros partidos são investigados. Prometeu ainda que petistas condenados pela Justiça serão afastados da sigla.

As participações de Lula e Falcão foram pontuadas por imagens de cartazes com dizeres de quais seriam as atuais bandeiras do PT, como o combate à impunidade e à volta da inflação.

Os programas Prouni e Mais Médicos também foram lembrados no programa.

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Cátia Seabra
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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