segunda-feira, 18 de maio de 2015

Ex-diretor da Petrobras diz que Dilma e Mantega prejudicaram a empresa quando presidiram o Conselho


Imagem: Marcelo Camargo / ABr
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa disse à Polícia Federal que a presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega prejudicaram a estatal quando presidiram o Conselho de Administração da petroleira. Segundo disse em delação premiada gravada em vídeo em 11 de setembro passado, os dois agiam contra os interesses da empresa para beneficiar o governo. “O pessoal não consegue separar o chapéu de empresa do chapéu de governo”, afirmou Paulo Roberto, de acordo com as imagens que integram os autos dos inquéritos da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). “É uma relação muito complexa. É tirar o boné de governo e se colocar o boné de empresa”, comentou.

Ele disse que o Conselho de Administração é um órgão político e omisso que contraria os interesses da própria estatal por nunca questionar os desejos do Poder Executivo. “Hoje, o conselho da Petrobras é inócuo”, continuou Paulo Roberto Costa, diante do delegado Eduardo Mauat e do procurador Roberson Pozzobom, em uma sala da superintendência da PF em Curitiba, semanas antes do primeiro turno das eleições presidenciais. “Hoje funciona como maria vai com as outras. Concorda com tudo. Ninguém discorda do ministro da Fazenda".

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Para exemplificar a intromissão que julga indevida na estatal, Paulo Roberto mencionou o aumento da gasolina, pretendido pela estatal, mas barrado pelo governo de Dilma a fim de não pressionar os índices de inflação durante seu primeiro mandato. O ex-diretor fez o pedido cinco vezes, sugerindo elevação gradual dos preços, para não causar prejuízos à petroleira.

Paulo Roberto disse que, na última vez em que tentou emplacar a proposta, tinha o apoio do então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, mas ambos foram repreendidos por Mantega na reunião do conselho. “Ele falou: ‘Paulo, você é um cara muito chato: vou mandar você e Gabrielli — isso é fato — para a China”, contou. O ex-diretor diz que Gabrielli perguntou o motivo da escolha do país asiático. “Porque lá ninguém reclama”, teria respondido Mantega, de acordo com o relato de Paulo Roberto aos policiais e procuradores da Lava-Jato. O ex-gerentes da Petrobras Venina Velosa e Fernando Sá disseram que foram removidos para Cingapura, no sudeste asiático, porque fizeram denúncias de irregularidades na administração da estatal.

Mauat questionou a Paulo Roberto qual foi o comportamento de Dilma no conselho entre 2003 e 2009. “Foi a mesma coisa que o Guido Mantega”, respondeu o delator. “A posição dela era sempre... o pessoal não consegue separar o chapéu de empresa do chapéu de governo. É muito difícil essa relação.” O ex-diretor voltou a citar Mantega e os pedidos de reajustes de preços. “Uma vez ele me disse o seguinte: ‘Paulo, você é contra o Brasil?’. Eu falei: ‘Não sou contra o Brasil, sou a favor da Petrobras, estou aqui como diretor, não sou ministro do Brasil'".

Os demais diretores, mesmo os ligados ao empresariado, também eram omissos e “inócuos”, segundo o ex-diretor. Ele mencionou os ex-conselheiros Jorge Gerdau e Sérgio Quintela. “Eles se sentem retraídos em termos de opinar, coisas que o presidente do conselho traga”, disse. “O próprio Gerdau tem ‘ene’ interesses com o governo: ele vai criar caso com o ministro da Fazenda?”. Ele ainda disse o sistema de auditorias da Petrobras pode sofrer “ingerência política” e deveria ser mais “rigoroso”.

O Palácio do Planalto e a Petrobras disseram ao Correio que não comentariam as declarações de Paulo Roberto Costa. O ex-ministro Guido Mantega foi procurado por meio de ex-secretária, mas ela não retornou os recados deixados em seu telefone. Jorge Gerdau não foi localizado na empresa: o único funcionário disse ontem por volta de 18h que o expediente só reiniciaria hoje às 7h30. A reportagem não localizou Sérgio Quintella e José Sérgio Gabrielli.

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Eduardo Militão 
Correio Braziliense
Editado por Folha Política
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