terça-feira, 5 de maio de 2015

Ex-presidente da Camargo Corrêa diz que todas as empreiteiras pagavam ao PT e ao PP


Imagem: Reprodução / Youtube
O ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, reconheceu em interrogatório na Justiça Federal no Paraná nesta segunda (4) que havia um cartel de empreiteiras nas obras da Petrobras. "Realmente havia combinação das empresas e eu participei das negociações", disse, citando o caso do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio).


Segundo ele, nas reuniões ficou decidido que a Camargo só receberia contratos menores no Comperj porque a empreiteira já havia fechado um negócio de R$ 3,4 bilhões com a Petrobras na Refinaria Abreu e Lima.

O executivo disse que participavam dessas reuniões em que a divisão de obras era discutida a Odebrecht, UTC, OAS, Andrade Gutierrez, Techint, Promon, Queiroz Galvão e Toyo.

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Avancini afirmou que os líderes dessas discussões eram Márcio Faria, da Odebrecht, e Ricardo Pessoa, da UTC. Ainda segundo ele, todas as empreiteiras que tinham contratos com a Petrobras pagavam suborno que beneficiavam o PT e PP, partidos que, segundo ele, indicaram as diretorias de Serviços e Abastecimento da estatal, respectivamente.

"Todas elas pagavam [propina]. A informação que tínhamos era que isso era regra", afirmou.

De acordo com Avancini, a Camargo pagou R$ 110 milhões em comissões para conseguir os contratos das refinarias Abreu e Lima, Repar, no Paraná, e Revap, em São Paulo.

A propina era de 1% do valor do contrato, segundo ele.

O ex-diretor de Serviços Renato Duque, que está preso em Curitiba, e Paulo Roberto Costa, que ocupava a área de Abastecimento e foi solto após fechar um acordo de delação, eram os beneficiários dos repasses ilícitos, ainda segundo o presidente da Camargo.

O ex-vice-presidente da Camargo, Eduardo Leite, disse que ficou sabendo do pagamento de suborno em contratos da Petrobras por meio de João Auler, que era vice-presidente à época e atualmente é o presidente de conselho de administração da empreiteira, e de Leonel Viana, antigo diretor de óleo e gás.

Avancini e Leite fizeram um acordo de delação com procuradores da Operação Lava Jato e prometeram contar o que sabem em troca de uma pena menor. O presidente do conselho, porém, não fechou um pacto de delação.

De acordo com Leite, a empresa pagava propina pois a estatal poderia criar dificuldades na gestão do contrato.

Os acionistas e o conselho de administração da empresa não sabiam do pagamento de propina, afirmou Leite.

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OUTRO LADO

As empreiteiras acusadas pelos executivos da Camargo Corrêa de formação de cartel e pagamento de suborno em contratos da Petrobras negaram a prática de crimes.

Em nota, a empreiteira Odebrecht relatou que nunca participou de cartel e nem pagou propinas, e que "não surpreende que o presidente da Camargo Corrêa, sentindo-se obrigado a prestar declarações em troca de sua liberdade, o faça motivado por um sentimento de vingança concorrencial". Segundo a Odebrecht, "sempre foram públicas as desavenças entre a Camargo Corrêa e a Odebrecht na disputa de contratos".

A construtora Andrade Gutierrez afirma que a acusação é leviana e tem base em ilações equivocadas e sem prova. A empresa nega a atuação em cartel e os subornos.

A Queiroz Galvão "nega veementemente práticas anticoncorrenciais" e o pagamento de propinas. A Camargo Corrêa e a UTC não quiseram comentar as declarações dos executivos. O PT nega o recebimento de propinas e afirma que as doações que recebe seguem a legislação eleitoral. A Folha não conseguiu localizar representantes do PP e das outras empreiteiras acusadas nos depoimentos.

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Mário César Carvalho, Flávio Ferreira e Alexandre Aragão
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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