terça-feira, 26 de maio de 2015

Executivo reitera à CPI que Vaccari pediu que propinas fossem pagas na forma de doações ao PT


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O ex-executivo da Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite, indicou à CPI da Petrobras nesta terça-feira (26) que denunciou outros gerentes da estatal como recebedores de propina, mas avisou não poder dar detalhes porque o caso ainda está sob investigação.


Ele deu a informação ao explicar que os pagamentos de propina aos diretores da estatal eram feitos por meio dos operadores. Leite assinou um acordo de colaboração premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato, mas parte dos depoimentos ainda é sigilosa.

"No que tange a gerentes, infelizmente eu tenho hoje uma limitação, não posso tratar do tema. Isso faz parte de minha delação mas ainda está sob investigação", afirmou.

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Questionado sobre mais detalhes em relação a esse assunto pelo deputado Aluísio Mendes (PSDC-MA), Leite afirmou que esses pagamentos aos demais escalões da Petrobras eram feitos por outros setores da Camargo no andamento dos contratos. "Remeti documentação comprobatória dos eventos com valores, responsáveis e partícipes", confirmou, adiantando não poder dar mais informações.

Leite, que ocupava a vice-presidência da Camargo mas se afastou do cargo depois que foi preso, em novembro do ano passado, na sétima fase da Operação Lava Jato, também foi diretor comercial da área de óleo e gás da empresa. Ao assumir o cargo em 2009, afirmou ter herdado uma situação pré-existente de pagamento de propinas.

"Herdei uma prática e tive que administrá-la, mantendo os mesmos procedimentos antes adotados."

O ex-executivo era conhecido entre os operadores pela alcunha de Leitoso, o que veio a público quando foi preso. Ele afirmou ainda estar recebendo salário da empresa, apesar de estar em regime de prisão domiciliar atualmente, no valor de R$ 85 mil.

Ele confirmou os pagamentos de propina aos ex-diretores de Abastecimento, Paulo Roberto Costa –intermediário do PP no esquema de corrupção– e de Serviços, Renato Duque, acusado de intermediar os recursos para o PT.

Segundo Leite, a propina era acrescentada ao valor dos contratos, e estes seriam 2% mais baratos caso não houvesse a necessidade desses pagamentos. "Era um custo como se fosse um fornecedor, você pagava da mesma forma."

VACCARI

Questionado sobre seu contato com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-executivo repetiu que foi procurado por ele para cobrar o atraso no pagamento de propinas, tendo recebido a sugestão de Vaccari de quitar essa dívida por meio de doações eleitorais ao partido.

Leite afirmou que repassou a sugestão ao setor institucional da Camargo Corrêa, a área que cuida de doações, e a empresa se recusou a realizar a transação.

"Reiterei que essa decisão não era minha, era da área institucional da empresa, e que iria encaminhar. A resposta que houve é 'não iremos proceder dessa forma. Vamos tentar honrar nossos compromissos na medida do possível, mas não faremos através deste veículo, que é a doação eleitoral'."

Na semana passada, outro ex-executivo da empresa, Dalton Avancini, também afirmou que a Camargo não fazia pagamentos de propina por meio de doações.

Leite também confirmou que a Camargo atrasava constantemente o pagamento de propinas porque necessitava firmar contratos fictícios com consultorias, volume que era insuficiente, segundo ele, para o alto valor pedido. O depoimento começou por volta das 10h e terminou às 14h.

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Aguirre Talento
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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