sábado, 20 de junho de 2015

Após prisões, Moody's revisa notas da Odebrecht e Andrade Gutierrez


Imagem: Marco Torquato / RPC
A agência de classificação de risco Moody’s colocou em revisão para rebaixamento as notas de crédito nacionais e globais das construtoras Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) e Andrade Gutierrez, que tiveram seus principais executivos detidos na 14ª fase da Operação Lava Jato.


As notas atuais da Odebrecht são Baa3 (escala global) e Aa1.br (escala nacional). Da Andrade Gutierrez, Ba2 para as escalas nacional e internacional.

Possível rebaixamento 

Tanto no caso da Odebrecht quanto da Andrade Gutierrez, a agência afirmou que a revisão foi motivada pela percepção "de aumento de risco de crédito" das empresas após os mandados de busca e apreensão emitidos e "das prisões preventivas e temporárias de alguns de seus executivos".

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De acordo com a agência, embora as investigações ainda estejam em andamento e eventuais sentenças ou penalidades ainda não tenham sido determinadas, "esses eventos podem afetar negativamente a execução das estratégias de crescimento da empresa no curto prazo e pressionar ainda mais os já desafiadores fundamentos da indústria de engenharia e construção no Brasil".

No caso da Odebrecth, se as questões forem esclarecidas e a companhia recuperar seu perfil de liquidez, os ratings podem ser confirmados nos níveis atuais, diz a Moody's. "Por outro lado, os ratings para OEC podem ser rebaixados se a Moody´s perceber aumento dos riscos oriundos dessas investigações", publicou em nota.

Estes riscos referem-se à redução da liquidez para cumprir com o serviço das dívidas ou redução significativa no seu portfólio de projetos que resultaria prospectivamente em maior alavancagem e perfil de negócios enfraquecido, diz a agência.

Quanto a Andrade Gutierrez, o relatório afirma que a revisão da nota vai considerar que a empresa atualmente tem operações em mais de 20 países e liquidez suficiente para cobrir todas as suas dívidas e garantias, que mitigam parcialmente as implicações negativas do negócio no curto prazo".

Os ratings da empresa podem ser rebaixados de seus níveis atuais, afirma a Moody's, se houver a percepção de um risco maior dos desdobramentos da operação Lava Jato, como perda de liquidez para cumprir com o pagamento de dívidas ou uma redução significativa de suas reservas".

Em janeiro, a Moody's mudou a perspectiva da nota de crédito "Baa3" da Construtora Norberto Odebrecht, empreiteira do grupo Odebrecht, para "negativa", citando a deterioração dos fundamentos do setor de engenharia e construção no Brasil, devido ao escândalo de corrupção na Petrobras.

Nova fase da operação Lava Jato

A Polícia Federal (PF) cumpriu 12 prisões temporárias e preventivas desde a madrugada desta sexta-feira (19), como parte da 14ª fase da Operação Lava Jato. Esta fase da operação, chamada de 'Erga Omnes', tem como alvo as empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez.

A PF informou que os quatro presos temporários vão prestar depoimento aos delegados da corporação neste sábado – dois às 15h e outros dois às 17h.

Na manhã deste sábado, os 12 presos foram levados ao Instituto Médico-Legal (IML) de Curitiba, para fazer o exame de corpo de delito. O procedimento é de praxe sempre que alguém é preso pela polícia. Do total de presos, quatro estão em caráter temporário e os demais em caráter preventivo.

Confira a lista dos presos de cada empresa que foram presos nesta fase:

Odebrecht
-Marcelo Odebrecht, presidente, prisão preventiva
-João Antônio Bernardes, ex diretor, prisão preventiva
-Alexandrino de Salles, prisão temporária
-Cristiana Maria da Silva Jorge, consultora, prisão temporária
-Márcio Faria da Silva, prisão preventiva
-Rogério Santos de Araújo, prisão preventiva
-César Ramos Rocha, prisão preventiva

Andrade Gutierrez
-Otávio Marques de Azevedo, presidente, prisão preventiva
-Antônio no Pedro Campelo de Souza, prisão temporária
-Flávio Lucio Magalhães, prisão temporária
-Elton Negrão, prisão preventiva
-Paulo Roberto Dalmazzo, prisão preventiva

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