quinta-feira, 18 de junho de 2015

Dilma já escolheu em quem jogar a culpa, diz colunista


Imagem: ABr
O Tribunal de Contas da União concedeu à presidente Dilma o prazo de 30 dias para explicar 13 pontos relativos às contas públicas. Segundo a colunista Vera Magalhães, da Folha de S. Paulo, a estratégia da presidente será a de alegar ignorância e colocar a culpa no ex-secretário do Tesouro, Arno Augustin. Resta saber, segundo a colunista, se a presidente "terá coragem de recorrer, mais uma vez, ao expediente do "não sabia de nada" e "fui enganada" para explicar as graves e inúmeras irregularidades apontadas no voto do relator Augusto Nardes". Magalhães conclui: "o TCU não tem outro caminho a não ser recomendar a rejeição das contas de 2014, sob risco de se desmoralizar se não o fizer". 

Leia abaixo o texto de Vera Magalhães: 
O que dirá Dilma Rousseff na defesa que terá de entregar ao Tribunal de Contas da União, que nesta quarta-feira deu um inédito e vexatório ultimato à presidente da República?
A versão que aliados da petista têm ventilado, acredite o leitor se quiser, é que Dilma foi enganada pelo ex-secretário do Tesouro Arno Augustin, que teria mandado brasa em desonerações, pedaladas, reduções de tarifa e outras mandracarias fiscais sem comunicar à chefe a real situação das contas do governo.
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Resta saber se Dilma terá coragem de recorrer, mais uma vez, ao expediente do "não sabia de nada" e "fui enganada" para explicar as graves e inúmeras irregularidades apontadas no voto do relator Augusto Nardes.
Foi por meio dele que a presidente explicou o fato de o Conselho de Administração da Petrobras, presidido por ela à época, ter aprovado a compra da refinaria de Pasadena em 2006. Disse que o então diretor da área internacional, Nestor Cerveró, hoje preso pela Lava Jato, omitiu cláusulas que mostravam que se tratava de um mau negócio.
Quem ditava a política econômica da dupla Guido Mantega e Arno Augustin –que o governo quer culpar agora pela lambança fiscal flagrada pelo TCU– era a própria Dilma. Foi ela quem urdiu a redução da conta de luz, cantada em prosa, verso e filmes de João Santana como um feito da gestão petista antes de se mostrar um desastre para a economia. O mesmo com as desonerações a granel, o Fies turbinado e outras mágicas com claros propósitos eleitorais.
Mantega e Arno não eram candidatos à reeleição –pelo contrário, já estavam demitidos antes do pleito.
Sem esse supertrunfo, restam dois caminhos a Dilma: retocar a maquiagem dos números rejeitados ou admitir os erros e prometer mudar procedimentos daqui para a frente.
Em ambos os casos, o TCU não tem outro caminho a não ser recomendar a rejeição das contas de 2014, sob risco de se desmoralizar se não o fizer. 

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