sábado, 27 de junho de 2015

STJ autoriza buscas e Pimentel vira alvo da Polícia Federal


Imagem: Hugo Cordeiro / Agência Nitros
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 25, operação para investigar suspeitas de que o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), recebeu “vantagens indevidas” do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, ligado ao PT, e de empresas que mantêm “relações comerciais” com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição é subordinada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, pasta que o petista comandou de janeiro de 2011 a fevereiro de 2014. 

Na semana passada, a PF solicitou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a abertura de inquérito para investigar Pimentel, que, por ser governador, possui direito a foro privilegiado na corte.

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A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em 19 endereços do Distrito Federal e de três Estados (SP, RJ e MG), entre os quais um antigo escritório particular do governador em Belo Horizonte. Os policiais chegaram por volta das 7h e deixaram o local levando um malote e um computador. O escritório fica em um prédio na Rua do Ouro, bairro Serra, região centro-sul da capital mineira. A cerca de 50 metros, do outro lado da rua, está o edifício em que Pimentel mora com sua mulher, Carolina de Oliveira. O casal não vem utilizando o Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador.

Nos documentos da operação, batizada de Acrônimo, a PF sustenta que as provas colhidas até agora “sinalizam” a participação de Pimentel e da primeira-dama de Minas em atos que “podem configurar corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro”.

A PF também detectou indícios de que a campanha vitoriosa de Pimentel ao governo estadual não declarou gastos com a Gráfica Brasil, da família de Bené. Num dos exemplos citados pelos investigadores, a tiragem de santinhos informada à Justiça eleitoral foi só 10% da real. Em outro, cinco notas fiscais apreendidas em maio, referentes a 34 milhões de panfletos, não aparecem nas prestações de contas do candidato e do PT. 

A maioria das informações que subsidiaram as ações de ontem foi obtida pela Polícia Federal em documentos e arquivos apreendidos na primeira fase da operação, em 29 de maio, quando a PF fez buscas em empresas de Bené e num apartamento de Carolina em Brasília. 

Antigo colaborador do PT em disputas eleitorais, o empresário é suspeito de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos em contratos com o governo federal que superam R$ 525 milhões. 

Buscas negadas. Embora a PF tenha solicitado, o ministro do STJ Herman Benjamin negou buscas no Palácio da Liberdade, sede do governo de Minas, e no Palácio das Mangabeiras.


Conforme o inquérito, a Oli Comunicação, empresa de Carolina, recebia recursos da agência Pepper Comunicação, contratada para fazer as redes sociais do PT e prestadora de serviços do BNDES. Para a PF, há indícios de que a primeira-dama, ex-funcionária do ministério, seria sócia oculta da Pepper. 

Também foi apurado que outras empresas que mantinham relações com o banco, como os grupos Marfrig e Casino, fizeram repasses à Oli. O Marfrig teria pago R$ 525 mil e o Grupo Casino, que controla a rede de supermercados Pão de Açúcar, mais R$ 362 mil entre novembro de 2011 e julho de 2012. “É razoável inferir-se que pode ter havido simulação de contratação da Oli pelo Casino e pelo Marfrig Global, a fim de repassar valores que, em última análise, poderiam ter como destinatário o então ministro de Estado”, escreveu Benjamin. 

A PF também suspeita que o governador pode ter usado “pessoas interpostas”, entre elas a mulher, para receber, de forma dissimulada, dinheiro repassado por um consultor ligado a Bené. No apartamento dela, foi apreendido um contrato de prestação de serviços da Oli para a MR Consultoria, do jornalista Mário Rosa, que seria sócio de Bené em outra empresa. Entre 2012 e 2014, a Oli teria recebido R$ 2,4 milhões.

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Fábio Fabrini, Talita Fernandes e Andreza Matais
O Estado de S. Paulo
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