terça-feira, 21 de julho de 2015

Eduardo Cunha pede ao STF que juiz Sérgio Moro deixe Operação Lava Jato, diz El País


Imagem: Luís Macedo / Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apelou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira para tentar anular o depoimento do empresário Júlio Camargo, que o acusou na semana passada de ter cobrado 5 milhões de dólares em propina para facilitar contratos na Petrobras investigados pela Operação Lava Jato. 


Camargo, que assinou acordo de delação premiada, fez o relato ao juiz Sérgio Moro, que comanda o caso na primeira instância. A defesa de Cunha argumenta que, como parlamentar federal, ele tem foro privilegiado e só pode ser investigado pelo Supremo, daí o pedido de destituição de Moro, "por usurpação" de funções, e anulação de tudo que foi colhido no processo até agora que tenha alguma ligação com ele. O apelo será analisado pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski, já que está em curso o período de recesso do Judiciário.

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Não foi o único movimento de Cunha (PMDB-RJ) nesta segunda para seguir provando que é um adepto da tática de se defender atacando. Depois que a deputada Eliziane Gama (PPS-MA) protocolou um pedido de acareação entre Cunha e Julio Camargo na CPI da Petrobras, o todo-poderoso do Congresso disse que um eventual encontro entre os dois “não tem nenhum problema. Pode haver acareação com quem quiser”. Mas fez questão de cutucar o Executivo.

“Aproveita e chama o (Aloizio) Mercadante e o Edinho Silva para acarear com o Ricardo Pessoa e a Dilma para acarear com Youssef”, disse. De acordo com a revista Veja, os ministros petistas foram citados na delação premiada de Pessoa, diretor da empreiteira UTC. O conteúdo das falas do empresário ainda estão sob sigilo de Justiça. Já o doleiro Alberto Youssef afirmou em sua delação que a presidenta e o ex-presidente Lula sabiam do esquema. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, descartou investigar Dilma. Cunha disse ainda que considera “oportunista” que se fale em acareação.

Apesar da Câmara estar em recesso até 1o de agosto, o regimento interno da Casa permite que a CPIs funcionem normalmente durante o período, o que abre uma brecha para que a acareação entre os dois ocorra. No entanto, dificilmente o presidente da comissão que investiga a corrupção na Petrobras, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), aliado de Cunha, irá convocar os parlamentares para votar o requerimento durante os dias de folga.

Na quinta-feira passada, Camargo disse perante o juiz Sérgio Moro que foi pressionado por Cunha a pagar 5 milhões de dólares referentes a contratos de navios-sonda. O consultor disse ainda que o deputado chegou a mencionar que em breve a campanha eleitoral começaria, e que os recursos eram necessários o quanto antes. O peemedebista chamou o delator de “mentiroso”.

Após a divulgação do vídeo com o conteúdo da delação de Camargo, Cunha anunciou o rompimento com o Governo, mas disse que não teria “pautas de vingança” no Congresso. Apesar disso, de acordo com o site Congresso em Foco, no dia do rompimento ele pediu o desengavetamento de 11 pedidos de impeachment da presidenta. O peemedebista deu aos autores dos requerimentos o prazo de dez dias para que eles atualizem os documentos, passo necessário para que o Casa analise o material. O PMDB divulgou nota afirmando que foi uma posição pessoal de Cunha, e que o partido continua no Governo.

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Gil Alessi
El País
Editado por Folha Política
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