terça-feira, 21 de julho de 2015

Laranja de Youssef confirma que Odebrecht usou sua 'lavanderia' de dinheiro em Hong Kong


Imagem: André Dusek / Estadão
Um dos laranjas de Alberto Youssef, o doleiro Leonardo Meirelles, confirmou à Polícia Federal que a Construtora Norberto Odebrecht usou a lavanderia de dinheiro mantida por eles, em Hong Kong, e citou uma suposta dívida de US$ 7,5 milhões da empreiteira com o esquema.


Interrogado no dia 17 pelo delegado da Polícia Federal Eduardo Mauat da Silva, Mereilles indicou quais movimentações feitas na conta controlada por ele, em nome da offshore RFY Import & Export Ltd, em Hong Kong, foram feitas para lavar dinheiro ilícito. Parte desses valores seria originária da Odebrecht.

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“Youssef possuia um controle sobre essas operações, observando que o mesmo vinculou os depósitos ao pagamento de uma dívida maior de 7,7 milhões de reais a serem pagos no exterior pela Odebrecht”, registrou a PF na transcrição do depoimento de Meirelles.

Meirelles, que está condenado por ser usado como laranja de Youssef nas operações de lavagem de dinheiro desviado da Petrobrás, confirmou que ‘as contas mantidas pela RFY Import e Export Ltd receberam diversos depósitos ordenados por Alberto Youssef, tendo este lhe informado que se tratavam de pagamentos ilícitos’.

Meirelles confirmou laudo pericial da PF que apontava os pagamentos feitos por Youssef na conta da RFY no banco Standart Chartered, em Hong Kong. Segundo ele, todos os valores “mais elevados” que entraram na conta da RFY “foram determinados por Youssef.



As movimentações de Youssef via conta da RFY envolviam tanto depósitos em moeda estrangeira no exterior como depósitos nas contas das empresas que controlava no Brasil. Recorda inclusive que Youssef mencionou que a Odebrecht lhe devia uma certa quantia e que seriam feitos diversos pagamentos para integralizar esse valor.

Meirelles apontou como contato de Youssef na Odebrecht uma pessoa conhecida como ‘Naruto’. Segundo revelou Rafael Ângulo Lopes – carregador de malas de dinheiro do esquema que entregava os números de contas e buscava os comprovantes nas sedes da empreiteira – ‘Naruto’ é o apelido de Cesar Ramos Rocha. Ele, o presidente da construtora, Marcelo Bahia Odebrecht, e outros executivos estão presos pela Lava Jato desde o dia 19 de junho e devem ser indiciados ainda hoje pela PF.

“Tais recursos foram disponibilizados a Youssef no Brasil, podendo ter utilizado as contas da Industria e Comércio de Medicamentos Labogen e Piroquimica Comercial”, afirmou Meirelles.

As indústrias de medicamentos Labogen foram usadas por Youssef, com auxílio do ex-deputado André Vargas (ex-PT, hoje sem partido/PR) e de funcionários públicos para viabilizar contrato milionário com o Ministério da Saúde – o contrato não efetivado.

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Diário do Poder
Editado por Folha Política
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