domingo, 19 de julho de 2015

Rui Falcão diz que governo Dilma "não é do PT"


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
No dia em que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou formalmente seu rompimento com o governo Dilma Rousseff, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulga em seu perfil no Facebook entrevista que concedeu à revista Caros Amigos.


Na entrevista, Falcão reforça que existem discordâncias entre o partido e o governo e que a presidente Dilma Rousseff sabe disso. O dirigente admite que essas diferenças de visões se evidenciaram no congresso da legenda, em junho, em Salvador, e chega a dizer que o governo não é propriamente do PT.


Leia também: 
Lava Jato terá ajuda do FBI

"Não vamos ser linha auxiliar da oposição, mas também não vamos ser beija-mão da situação. (...) Não estamos de acordo com tudo e a presidenta sabe disso. O governo não é um governo 'do' PT."

Questionado se o processo atual leva a um desgaste maior do PT, em um governo que é compartilhado por outros partidos num sistema de coalizão, Falcão afirmou que, no limite, a solução seria ou o governo incorporar mais o PT ou romper a imagem da legenda com a do governo mais claramente - há algum tempo petistas reclamam da perda de espaço para o PMDB.

"A outra solução seria ou a incorporação do PT pelo governo, ou o rompimento do PT, quer dizer, na medida em que a gente não confunde mais, como muita gente confundia, o partido com o governo, o partido com o Estado, não há como estar ajustado em tudo, porque o governo tem um mandato, (...) tem uma série de injunções institucionais (...), que é uma dinâmica diferente do partido."

Em outro trecho, Falcão atribui ao sistema de coalizão a dificuldade do governo de fazer reformas nos últimos 12 anos, como a política ou a democratização dos meios de comunicação. Ele afirma que o partido é minoria na composição governista. "O governo não é um governo que tem predomínio do PT. É um governo dito de coalizão e nas circunstâncias atuais, nós somos quase minoria do governo", diz.

Em relação ao funcionamento do Legislativo, o dirigente afirma que o Congresso pressiona o Executivo, "opera o tempo todo para forçar concessões". Ele dá como exemplo a postura de Cunha ao declarar, quando assumiu a presidência da Câmara, que não deixaria votar na Casa nenhum processo relacionado à democratização da mídia ou a costumes - como a questão do aborto.

Falcão também falou do reencontro do PT com suas origens. O presidente da legenda admitiu que as "instâncias partidárias foram se esvaziando". "O problema é que nós passamos a privilegiar excessivamente o que é chamado de luta institucional", disse, ao comentar o foco do partido no governismo.

Ele afirmou que, desde o congresso da legenda, o partido faz mais abertamente esse processo de autocrítica, da necessidade de se reaproximar dos movimentos sociais e da volta às origens do partido.


Leia também: 

E diz que é preciso levar esse raciocínio também para a área econômica. "Vamos começar a fazer uma crítica do capitalismo em escala mundial, que hoje é etapa do neoliberalismo." O dirigente completou dizendo que um governo não pode praticar apenas o chamado "melhorismo", mas ter uma "perspectiva de transição para outro tipo de sociedade".

Eleições

Falcão disse não ver a perspectiva de o PT não ter um cabeça de chapa para sucessão de Dilma em 2018. Ele argumentou que Lula "continua a ser uma grande liderança", mas que o partido também tem outros nomes como os ministros Jaques Wagner (Defesa), Aloizio Mercadante (Casa Civil), o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Sobre as eleições municipais em 2016, Falcão disse não acreditar que "o PT vá ser varrido do mapa" e sugeriu revigorar o PT e popularizar um antigo slogan da legenda: "o PT é bom de governo".

Veja também: 



Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...