quinta-feira, 9 de julho de 2015

Setor privado fechou 708 mil empregos formais em 1 ano, diz IBGE


Imagem: Fernando Donasci / Folhapress
Considerada uma das conquistas sociais do país nos últimos anos, a formalização do mercado de trabalho sofreu um duro revés neste ano. Os empregos com carteira assinadas estão sendo cortados, e formas mais precárias de trabalho crescem.

No trimestre encerrado em maio, 708 mil pessoas perderam status de trabalhadores formais, na comparação com o mesmo período do ano passado, uma redução de 1,9%.

Os dados são da Pnad Contínua, pesquisa nacional sobre o mercado de trabalho divulgada nesta quinta-feira (9) pelo IBGE.

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Com os cortes, o número de empregos com carteira ficou em 35,964 milhões no trimestre encerrado em maio deste ano, segundo os dados do IBGE, que tem abrangência nacional.

Cimar Azeredo Pereira, coordenador de Emprego e Rendimento do IBGE, diz que esses trabalhadores têm uma rede de proteção, como seguro-desemprego e o saldo do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), mas com tempo determinado.

Ele acrescenta que não foram apenas os empregos com carteira de trabalho assinada que encolheram. Também encolheu o número de empregos sem carteira assinada. "Foi uma redução significativa. No fim, há uma perda de estabilidade desses trabalhadores", disse o coordenador no IBGE.

O número de empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado encolheu em 310 mil, uma baixa de 3%. Por serem informais, esses trabalhadores não recebem seguro-desemprego.

DESTINO

Os trabalhadores que perderam emprego estão abrindo o próprio negócio, seja trabalhando sozinho na empreitada (o chamado conta própria) ou com pelo menos um funcionário (empregador).

O número de contas próprias cresceu em 934 mil pessoas no trimestre encerrado em maio deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado, um aumento de 4,4%

Já o número de empregadores cresceu em 299 mil no trimestre, um aumento de 8,1% na comparação ao mesmo período do ano passado, informou o IBGE.

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SETORES

O setor de construção foi o que mais cortou o número de empregados no trimestre encerrado em maio. Foram 636 mil vagas a menos na comparação com o mesmo período do ano passado, queda de 6,5%.

O setor de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura reduziu em 223 mil o número de empregados, uma queda de 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os cortes também foram grandes na administração pública, defesa e seguridade, com perda de 622 mil vagas no trimestre encerrado em maio.

Segundo o coordenador da pesquisa, contudo, os motivos que têm levado esse agrupamento a ter cortes tão expressivos ainda estão sendo estudados pelo IBGE.

O agrupamento inclui prefeituras, governos estaduais, federal, câmaras, estatais e outras áreas do setor público brasileiro.

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Bruno Villas Bôas
Folha de S. Paulo
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