terça-feira, 25 de agosto de 2015

Delator diz que entregava R$ 200 mil em dinheiro vivo todo mês a Pedro Corrêa


Imagem: Reprodução / Youtube
O delator Rafael Ângulo Lopez, ex-faz-tudo do doleiro Alberto Youssef, afirmou à Justiça Federal nesta segunda-feira, 24, que entregava todo mês até R$ 200 mil em dinheiro vivo para o ex-deputado Pedro Corrêa (PP/PE), preso em Curitiba por corrupção e lavagem de dinheiro no esquema desmontado pela Operação Lava Jato. As entregas ocorriam, geralmente, em três lugares: escritório de Youssef, em São Paulo, residência do ex-parlamentar, em Recife, e no apartamento funcional da Câmara ocupado por Pedro Corrêa em Brasília.


A longa rotina das propinas, segundo Ângulo, se estendeu desde 2007 até 2014, ou seja, inclusive no período em que Corrêa foi processado, julgado e condenado no Mensalão.

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Na audiência perante o juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, nesta segunda-feira, 24, Ângulo depôs como testemunha de acusação de Pedro Corrêa. Ele não citou o valor total que entregou ao ex-parlamentar. Mas a denúncia do Ministério Público Federal apurou que Pedro Corrêa “‘recebeu para si, direta e indiretamente, a quantia aproximada de R$ 35,4 milhões correspondente a 118 repasses de R$ 300 mil mensais, no período de 14 de maio de 2004 a 17 de março de 2014, pulverizados e estruturados em valores menores, acrescida de uma quantia de R$ 5,3 milhões paga no primeiro semestre de 2010, o que totaliza a soma de R$ 40,7 milhões de vantagem indevida”.

Rafael Ângulo disse que trabalhou durante nove anos para o doleiro. Sua função principal era fazer a entrega de dinheiro. Para Pedro Corrêa os repasses ocorreram até o estouro da Lava Jato, em março de 2014. Habitualmente, transportava o dinheiro nas pernas, oculto em meiões.

“Às vezes, na residência do seu Pedro Corrêa, não estava, falava com a esposa dele, ela entrava em contato com ele. Eu deixava no escritório dele, ficava no escritório, descarregava, tirava das pernas e colocava na gaveta da escrivaninha dele, que ele pedia”, afirmou o carregador de malas do doleiro.

Rafael Ângulo afirmou que entregou dinheiro diretamente a Pedro Corrêa e no escritório do ex-deputado.”Reclamava às vezes que não era o combinado, que era pouco e faltava.”

O juiz perguntou ao delator se ele entregava o dinheiro com frequência. “Bastante vezes. Às vezes uma vez por mês, às vezes duas. Ele (Corrêa) comparecia ao escritório ou eu ia a Recife ou a Brasília para entregar o valor.”

Sérgio Moro perguntou qual era o valor médio mensal. “Se somasse tudo, 150 mil (reais) a 200 mil (reais). Além da listagem de depósitos de terceiros que ele pedia para fracionar.”

“Cento e cinquenta mil por mês?”, indagou o magistrado da Lava Jato.

“Sim, a 200 mil (reais)”, respondeu a testemunha.

Entregou esse dinheiro onde?

“Na residência dele, no escritório do sr. Alberto (Youssef) e também no apartamento funcional em Brasília. Em Recife na Avenida Boa viagem. O apartamento funcional acho que era no Setor Sul.”

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“Ele também ia ao escritório do sr. Alberto Youssef?”, prosseguiu o juiz.

“Ia com frequência retirar o dinheiro. Ia bastante vezes, até almoçava lá e ficava aguardando fazer a listagem para depósitos de terceiros. Quando o sr Alberto não estava eu atendia, ele (Corrêa) ficava na sala de reunião aguardando.”

“Era sempre para buscar dinheiro?”, perguntou Sérgio Moro.

“A maioria das vezes era dinheiro.”

“Pedro Corrêa ia sozinho?”, insistiu o juiz.

“Normalmente ia, mas às vezes aparecia com a filha dele (ex-deputada Aline Corrêa) ou com a esposa ou com um filho (Fábio Corrêa). Na maioria das vezes ia sozinho (pegar dinheiro), outras vezes, com o filho (Fábio Correa). Entreguei (para Fábio Corrêa) quando ele ia ao escritório, às vezes só, sem o pai. Ia buscar dinheiro e deixava uma relação também para depositos de terceiros. Normalmente (entregava dinheiro) só para eles, Pedro e Fábio. Entreguei para a filha dele também, mas era para ela, não para, para a Aline Corrêa.”

Numa planilha que entregou ao Ministério Público Federal, Rafael Ângulo Lopez esclareceu o significado das expressões ‘Band’ e ‘PC’.

“PC era Pedro Corrêa e Band do grupo dos políticos. Band era uma brincadeira (no escritório do doleiro), bando ou bandido.”

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Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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