quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Com balões e Pixuleko, oposição lança movimento pró-impeachment


Imagem: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Com balões, bonecos em miniatura do boneco Pixuleko e discursos inflamados, deputados de oposição lançaram nesta quinta-feira (10) a um movimento suprapartidário que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Carlos Sampaio (SP), o movimento conta com pelo menos 280 deputados. O grupo lançou um site para coletar assinaturas a favor do impeachment da presidente e pressionar. O principal nome da oposição, senador Aécio Neves (PSDB-MG), defendeu o movimento, mas não compareceu ao lançamento e deu a entender que não deverá se engajar pessoalmente na campanha.
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Estiveram no lançamento Roberto Freire (PPS-SP), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Mendonça Filho (DEM-PE) e Jair Bolsonaro (PP-RJ), entre outros parlamentares. Para Sampaio, o trabalho do movimento se dividirá em três fases. A primeira será a de "convencer" colegas a aderirem ao movimento.

A segunda será a de acrescer o parecer do jurista Miguel Reale sobre o embasamento jurídico para o impeachment de Dilma Rousseff ao pedido feito por um dos fundadores do PT (Partido dos Trabalhadores) Hélio Bicudo. O terceiro momento será o de pressionar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para colocar o pedido feito por Bicudo em votação no Plenário. "Se ele indeferir o nosso pedido, vai ter a obrigação regimental de colocá-lo em pauta", afirmou.

Roberto Freire comparou o lançamento do movimento pró-impeachment ao momento político de 1992, quando o então presidente Fernando Collor (hoje no PTB de Alagoas) foi afastado. "Naquela oportunidade, estávamos juntos para derrubar o governo Collor com os que hoje estão no governo. Era uma ação democrática e tão democrática quanto essa que estamos dando início agora", afirmou.

O deputado Jarbas Vasconcelos disse acreditar que a queda de Dilma Rousseff é uma questão de tempo. "A saída da presidente Dilma do governo é inevitável", disse. "Estou cada vez mais convicto de que ela sai, ou pela renúncia, que é um ato unilateral. Uma hora a ficha dela vai cair. Se não cair, o impeachment vem para a Casa (Câmara dos Deputados) e será inevitável", afirmou.

Uma pequena estrutura foi montada no Salão Verde da Câmara dos Deputados para o lançamento do movimento. Havia banners e caixas de som no local. Balões de borracha e réplicas em miniatura do boneco "pixuleco" foram distribuídos para os deputados. Durante os discursos, militantes contrários à presidente jogavam os balões na direção dos deputados. Alguns responderam à brincadeira, enquanto outros, como o deputado Roberto Freire, ficaram irritados. "Isso aqui é coisa séria. Para com esse negócio de balão", disse o parlamentar.

Aécio não se engaja

Após o lançamento do movimento, Aécio Neves deu uma entrevista coletiva em que apoiou a iniciativa, mas deu a entender que não irá participar ativamente do movimento.

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"Esse é um movimento da sociedade. Não é um movimento de partidos, não é um movimento do PSDB e que tem o apoio de vários parlamentares. Na hora em que vira um movimento com a minha participação, vira um movimento do PSDB e não queremos que isso ocorra. É um movimento legítimo, que segue as regras constitucionais e é um movimento que deve ser cada vez mais da sociedade", afirmou.

Aécio criticou a condução política do governo. "O governo está por um fio", afirmou. "Eu ainda dou uma chance a eles. Ou ele assume a responsabilidade que não assumiu até agora, por exemplo, apontando ao país do ponto de vista orçamentários e o caminho para o incremento de receitas... Mas o governo se acovarda. Temos uma presidente sitiada e um governo que não governa mais", disse.

Adversário político declarado da presidente Dilma, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não participou do lançamento do movimento pró-impeachment, mas aliados próximos dele estiveram. Entre eles, o presidente da comissão especial da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da redução maioridade penal, André Moura (PSC-SE), e o relator do projeto de lei da terceirização, Arthur Maia (SD-BA).

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Leandro Prazeres
UOL
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