sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sem Roseana, Maranhão economiza R$ 1,6 milhão em comida fina e flores


Imagem: Pedro Ladeira / Folhapress
Gastos com comidas finas, flores naturais, combustíveis e eventos para as residências oficiais do governador e do vice entraram nos cortes feitos pelo governo do Maranhão. As mudanças representaram uma economia de R$ 1,6 milhão nos primeiros sete meses do ano.


De janeiro a julho, os quatro grupos de despesas somaram R$ 353 mil –uma queda de 82% em relação ao mesmo período do ano passado, quando esses gastos somaram R$ 1,98 milhão, sob a gestão da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB).

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Os dados são do governo Flávio Dino (PC do B), que encerrou um ciclo de quase 50 anos de comando da família Sarney e aliados no Executivo do Maranhão.

Procurada, a assessoria da peemedebista informou que a gestão Dino aumentou os gastos em outras áreas do governo.

Nos gastos para as residências oficiais, a maior economia, de R$ 929 mil, ocorreu quando o governador cancelou um pregão de novembro que previa itens como meia tonelada de patinhas de caranguejo e 150 quilos de "bacalhau do Porto de primeira qualidade".

Após nova licitação, as compras para abastecer o Palácio dos Leões (sede do governo e residência oficial do governador), as casas de veraneio e do vice-governador saíram por R$ 120 mil.

Nos gastos com combustíveis, usados para deslocamentos e viagens do governador, do vice e do chefe da Casa Civil, a redução foi de R$ 509 mil, ou 79%. Passaram de R$ 644 mil no governo Roseana para R$ 135 mil neste ano.

"Não consigo explicar como era tão alto [o valor]", disse à Folha o secretário da Casa Civil, Marcelo Tavares. Segundo ele, o governador viaja hoje mais e, mesmo assim, os valores gastos são menores. "Há algo de muito estranho no ar."

O governo também economizou R$ 114 mil nos gastos com eventos e R$ 76,5 mil no fornecimento de flores naturais. "Quando esse dinheiro é economizado em atividades que não são essenciais, ele sobra para ser investido em serviços importantes para a população, como hospitais e escolas", afirma Tavares.

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CRISE

Os investimentos, contudo, também caíram, acompanhando a tendência da maioria dos Estados. Foram R$ 107 milhões no primeiro semestre, ante R$ 275 milhões liquidados no mesmo período do ano passado.

Com Orçamento estimado de R$ 14,8 bilhões, o caixa estadual enfrenta frustração nas receitas –repasses da União, por exemplo, caíram 20%. Além disso, o governo também faz ajustes para pagar parcelas milionárias de empréstimos –um deles afetado pela alta do dólar.

Para o secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco, o corte de gastos "supérfluos" é uma das saídas no momento de recessão.

"Como é difícil ampliar a arrecadação, é louvável que os governos consigam reduzir suas despesas, notadamente as supérfluas. Mesmo que isso não signifique o equilíbrio das finanças, é um exemplo que tem que ser dado", afirmou.

OUTRO LADO

A assessoria de imprensa de Roseana ficou de detalhar sobre os gastos de Dino em outras áreas, mas não fez isso até o final da manhã desta sexta (11).

A reportagem também procurou o PMDB do Maranhão para falar sobre o assunto, mas não conseguiu.

Desde que assumiu o governo, Dino e os Sarney tê realizado um embate político. Os peemedebistas dizem que os antecessores têm sofrido perseguição do comunista.

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Patrícia Britto
Folha de S. Paulo
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