terça-feira, 13 de outubro de 2015

Para Cunha não aceitar o impeachment, governo oferece ajuda com denúncias da Lava Jato


Imagem: Roberto Stuckert Filho / PR
Preocupado com a possibilidade de sucesso do encaminhamento do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o governo ainda tenta um acordo de última hora com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para tentar postergar o avanço da proposta.


Desde a semana passada, integrantes do núcleo duro do Palácio do Planalto, como os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social), buscaram o peemedebista na tentativa de fechar um acordo que adiasse a decisão do deputado federal de arquivar ou aceitar pedido de impeachment elaborado pelos advogados Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior –que seria tomada, em princípio, nesta terça (13).

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Caso Cunha não aceite o acordo e dê prosseguimento ao pedido de impeachment, a ordem do Palácio do Planalto é partir para o enfrentamento.

Segundo a Folha apurou, o governo sinalizou ao peemedebista que ofereceria uma trégua a Cunha no episódio das contas reveladas pelo governo da Suíça em seu nome, cuja existência ele negou em depoimento, o que pode levar a seu pedido de cassação.

A bancada federal do PT evitaria fazer críticas públicas, não defenderia seu afastamento e manteria distância de movimento pela cassação por quebra de decoro parlamentar.

A base aliada, segundo a proposta, também não apoiaria um eventual processo no Conselho de Ética, cujo pedido que deve ser protocolado nesta terça pelo PSOL.

Hoje, o Palácio do Planalto tem influência sobre pelo menos 7 dos 21 deputados que integram o colegiado. Com o grupo, somado aos aliados do peemedebista, ele disporia de maioria para se manter no comando da Câmara.

O acordo, no entanto, sofre resistência de Cunha. As conversas caminhavam bem até a quinta (9), mas a divulgação pela Procuradoria-Geral da República de detalhes das movimentações de dinheiro supostamente oriundo do petrolão pelas contas atribuídas a Cunha na sexta (10) fizeram o clima azedar.

Cunha atribui ao Planalto o foco dado pela PGR a seu caso no escopo da Operação Lava Jato.

Segundo a Folha apurou, o Planalto considera que apenas algum tipo de garantia de frenagem nas apurações da Lava Jato contra Cunha poderia trazer o peemedebista de volta à mesa de negociação, o que estaria fora de cogitação. Cunha nega ter negociado com o Planalto.

Sem acordo, o Planalto se prepara para o enfrentamento. Tentará carimbar no deputado a pecha de que age por vingança contra Dilma e irá liberar a base para trabalhar pela cassação do peemedebista.

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Em outra frente, o governo segue sua cruzada jurídica contra as alegações que fundamentam os pedidos de impedimento da presidente. O PT já tem um parecer defendendo que as "pedaladas fiscais" não podem ser consideradas motivo para o eventual processo.

Já trabalham na defesa do governo, que também está sofrendo processos no Tribunal Superior Eleitoral por suspeitas de irregularidades nas contas da campanha de 2014, advogados como Dalmo Dallari, Fábio Comparato, Gilberto Bercovici, Heleno Torres e André Ramos Tavares.

Nesta segunda-feira (12), a presidente se reuniu no Palácio do Alvorada com os ministros Ricardo Berzoini (Governo), José Eduardo Cardozo (Justiça), Jaques Wagner (Casa Civil) e o assessor especial Gilles Azevedo para discutir o cenário de possível abertura de um pedido de impeachment.

No final do dia, Berzoini reuniu parte da bancada petista na Câmara dos Deputados.

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Gustavo Uribe, Márcio Falcão e Mariana Haubert
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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