sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sobrinho de Lula que conseguiu contratos milionários diz que não recebeu ajuda do tio


Imagem: Reprodução / Tribuna da Internet
Em depoimento à CPI do BNDES na Câmara dos Deputados, o empresário Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho da ex-mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, negou nesta quinta-feira (15) que a sua ligação com o petista o tenha ajudado a fechar contratos com a construtora Odebrecht em Angola, entre 2011 e 2015.


A comissão, em funcionamento desde agosto, investiga contratos de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com empresas citadas na Operação Lava Jato, que apura um esquema de corrupção na Petrobras, e com países como Cuba e Angola.

Leia também: 
Taiguara é sócio da empresa Exergia, que foi contratada pela Odebrecht para trabalhar em Angola na ampliação e modernização da hidrelétrica de Cambambe em 2012 – mesmo ano em que a empreiteira obteve um financiamento do BNDES para tocar o projeto.

Aos deputados, Taiguara admitiu manter contato com Lula e ser próximo do filho mais velho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mas negou ter havido interferência por parte do ex-presidente para que conseguisse os contratos. “Influência zero do ex-presidente Lula e do Fábio”, disse.

Ele confirmou que possui 49% das ações da Exergia Brasil, aberta em 2009 para atuar no país africano, mas explicou que não colocou capital próprio na empresa. Ele atribuiu o contrato firmado com a Odebrecht ao histórico de obras da Exergia S.A, que existia antes da formação da sua empresa.

O empresário declarou que trabalhos para os quais a Exergia Brasil foi contratada foram todos prestados, e negou o recebimento de propina. Sobre o seu patrimônio, Taiguara disse possuir um apartamento duplex e um carro Land Rover, mas alegou estar em uma situação econômica difícil. Segundo ele, além de possuir dívidas, o apartamento corre o risco de ir a leilão.

Para o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), um dos autores do requerimento de convocação, ficou claro que houve tráfico de influência.

“O depoimento confirmou o que a gente já vinha suspeitando, que ele foi beneficiado por tráfico de influência claramente. Esse rapaz era um trabalhador que tinha uma pequena empresa em Santos [SP] fazendo esquadrias de alumínio para janelas, morava num apartamento de quarto e sala e, de repente, do nada, passou a operar em Angola, em Cuba e Portugal e foi empreitado pela Odebrecht em um contrato de US$ 2 milhões. E não conseguiu explicar como é que conseguiu esse contrato”, disse Jordy ao G1.

Segundo o deputado, foi feita uma consulta no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) de São Paulo, onde a empresa dele tinha sede, e não foi encontrada nenhuma obra executada por ela. “A carteira de obras é zero não tem nenhuma obra. Nenhuma”, disse Jordy.

Leia também: 
Na avaliação do relator da CPI, deputado José Rocha (PR-BA), porém, o depoimento de Taiguara não acrescentou nada aos trabalhos da CPI, porque ele negou ter havido tráfico de influência e a comissão não possui nenhuma prova.

“É um depoimento que não acrescentou nada à CPI. Ele declarou que construiu uma empresa, foi trabalhar em Angola, conheceu vários brasileiros que o apresentaram à Odebrecht e foi contratado para fazer sondagens. Ele nega que tenha havido tráfico de influência e não tem nada que comprove isso”, disse Rocha.

O relator ressaltou ainda que esse tema nem é o foco da comissão. “A CPI é para investigar possíveis desvios com o BNDES, mas ele nunca teve contrato nenhum com o BNDES. Era um terceirizado da Odebrecht, como vários outros. A oposição disse que houve tráfico de influência por ele ser sobrinho do Lula”, disse.

Veja também:





  

Fernanda Calgaro
G1
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...