quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Filho de Cerveró buscou PGR após desconfiar de 'jogo-duplo' de advogado


Imagem: Antonio Cruz / ABr
Na última quarta-feira (18), integrantes do grupo de trabalho da Operação Lava Jato na Procuradoria Geral da República receberam um telefonema da advogada do ex-diretor Nestor Cerveró, Alessi Brandão. Na conversa, ela contou que havia uma gravação de reunião com o senador Delcídio Amaral (PT-MS) tentando impedir a delação premiada do ex-diretor. 

A gravação fora feita pelo filho de Cerveró, Bernardo, por estar desconfiado que o outro advogado de seu pai, Edson Ribeiro, estaria fazendo um "jogo-duplo": atrapalhando o acordo de delação de seu pai para ganhar dinheiro de um acordo com Delcídio e excluir nomes da delação. 

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Os procuradores se interessaram pelo material. No mesmo dia, a advogada Alessi Brandão pegou um avião e foi a Brasília encontrá-los, levando a gravação. Chegou por volta das 21h. Conversaram e ouviram o arquivo de uma hora e meia. Naquele dia, o expediente só se encerrou após a meia-noite na PGR. 

A conversa havia sido gravada por Bernardo no último dia 4 de novembro, em um quarto de hotel em Brasília. Contou com a presença do advogado Edson Ribeiro, do senador Delcídio e do seu chefe de gabinete, Diogo Ferreira, todos presos. Antes da reunião, todos guardaram os celulares, para evitar gravações. Mas Bernardo havia levado um aparelho extra para conseguir gravar. 

No dia seguinte ao encontro na PGR, a quinta-feira (19), procuradores saíram de Brasília e foram até o Rio de Janeiro obter um depoimento de Bernardo e até Curitiba ouvir Cerveró. Ambos confirmaram a história. 

Naquele dia, Bernardo tinha marcado uma reunião com o grupo para debater o assunto, que teria a presença do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Como os procuradores foram até seu encontro, ele avisou que não poderia comparecer. Enquanto conversava com os integrantes da PGR, a reunião ocorria e o advogado Edson Ribeiro até lhe mandava mensagens de celular fazendo relatos. Bernardo mostrou aos procuradores as mensagens. 

Os procuradores passaram os próximos dias trabalhando em cima do pedido de prisão. Avaliaram que seria a única maneira de impedir que o delito continuasse a ser cometido. Ainda no domingo (22), protocolaram o pedido de prisão no Supremo Tribunal Federal, destinado ao ministro Teori Zavascki, relator dos casos da Operação Lava Jato. 

Nesta terça (24), Teori deferiu as medidas, que ocorreram na manhã desta quarta-feira (25). Delcídio, Diogo e André Esteves foram presos. O advogado Edson Ribeiro estava no exterior e, por isso, ainda não foi detido. 

PRISÃO 

Delcídio teve a prisão decretada pelo relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori Zvascki, por suspeita de tentar atrapalhar as investigações sobre o escândalo de corrupção na Petrobras. 

Segundo Zavascki, ele ofereceu de uma "mesada" de pelo menos R$ 50 mil para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró não fechasse acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e chegou a tratar de uma eventual rota de fuga do ex-diretor caso a Justiça concedesse um habeas corpus a ele. 

Uma sessão da Segunda Turma do STF, em reunião extraordinária, manteve a prisão do petista. 

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) afirmou, pelo Twitter, que a bancada do Democratas irá votar pela manutenção da prisão do petista. "Não cabe a esta Casa contestar decisão num momento tão grave e que abala o Senado Federal. É importante também que o PT se pronuncie", afirmou. 

Os principais partidos de oposição ao governo federal ainda pretendem utilizar a prisão do líder do governo como argumento para a necessidade de afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados. 

OUTRO LADO 

A defesa do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) afirmou, em nota divulgada no fim da tarde desta quarta-feira (25), que "manifesta inconformismo" em relação à sua prisão e pede respeito à Constituição, por impedir, à exceção de flagrante, a prisão de parlamentar. 

O Supremo Tribunal Federal, porém, entendeu que Delcídio estava cometendo um crime em flagrante, de obstruir investigações em andamento sobre organização criminosa, e por isso autorizou sua prisão preventiva. 

A nota, assinada pelo advogado Maurício Silva Leite, desqualifica ainda o ex-diretor Nestor Cerveró, chamando-o de "delator já condenado". 

Para o advogado, o entendimento inicial da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal "será revisto". 

A prisão também deixou 'perplexo' o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, segundo seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. 

Em nota, o BTG diz que vai colaborar com as autoridades para esclarecer os fatos investigados. 

Deputados e senadores do PT demonstraram perplexidade com a notícia de que o Supremo Tribunal Federal mandou prender o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS).

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Aguirre Talento e Márcio Falcão
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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