quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Juiz autoriza quebra de sigilos de ex-ministro Guido Mantega


Imagem: Sérgio Lima / Folhapress
O juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, Vallisney de Souza Oliveira, responsável pela condução dos inquéritos da Operação Zelotes, determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de cerca de 30 empresas e pessoas, entre as quais o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. O magistrado acolheu pedidos do Ministério Público Federal no Distrito Federal.


A Folha apurou que a ação é uma tentativa de descobrir se as nomeações de conselheiros do Carf, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, feitas pelo então ministro sofreram interferência ilegal, que poderia ser detectada a partir do mapeamento de transações financeiras de Mantega.

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O Carf é o órgão responsável pelo julgamento de recursos de empresas contra multas aplicadas pela Receita.

Outra linha de apuração é definir a extensão do relacionamento do ex-ministro com o empresário Victor Sandri, cuja empresa, o Grupo Comercial de Cimento Penha, conseguiu reverter no Carf multa de R$ 106 milhões.

Há cerca de duas décadas, Mantega vendeu terrenos para uma firma de Sandri. Antes da Zelotes, o empresário foi condenado também pela suspeita de interferir em decisões no Carf, conforme a Folha revelou em abril.

Outras quebras de sigilo decretadas pelo juiz Vallisney nesta semana alcançaram lobistas, empresários e executivos de instituições financeiras, cujos nomes não foram confirmados pela Folha, e que também teriam sido beneficiados no Carf.

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Mantega informou, por intermédio de pessoas próximas, que "repudia qualquer ilação sobre irregularidades em sua conduta, uma vez que sempre se pautou pelos princípios éticos".

Sobre o pedido dos procuradores e a quebra judicial, Mantega informou que não havia sido notificado sobre a medida até a noite desta quarta-feira (11) e, por isso, preferiu não se manifestar sobre o assunto.

O empresário Victor Sandri informou por meio de nota que o Grupo Comercial de Cimento Penha "forneceu todas as informações requeridas" ao Ministério Público.

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Rubens Valente
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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