sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Menção a Alstom ‘ligou o alerta’ em Delcídio, diz filho de Cerveró


Imagem: ABr
Bernardo Cerveró, filho de Nestor Ceveró – ex-diretor da área Internacional da Petrobrás e um dos delatores da Operação Lava Jato -, afirmou à Procuradoria-Geral da República que o senador Delcídio do Amaral (PT/MS) ‘ligou o alerta’ quanto a uma possível menção à multinacional Alstom na delação premiada do executivo da estatal. O senador foi apontado pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa como destinatário de propinas da Alstom no período em que foi diretor de Gás e Energia da Petrobrás, entre 1999 e 2001, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Na época, Cerveró era subordinado a Delcídio na diretoria.
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O senador foi preso nesta quarta-feira, 25, pela Polícia Federal, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele está sob suspeita de tentar barrar as investigações da Lava Jato. Também foram presos o chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira, e o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual. O STF expediu uma ordem de prisão contra o advogado Edson Ribeiro, defensor de Cerveró. Ele foi preso ao retornar dos EUA.


O convite, de acordo com ele, ‘veio por meio do advogado Felipe Caldeira’, que trabalhava com o criminalista Edson Ribeiro. “O senador Delcídio Amaral começou a perguntar sobre a reunião de dias antes com a força-tarefa da Lava Jato; que o senador perguntou detalhes da reunião, querendo saber, inclusive, quem estava presente e como funcionava a coisa; que a reunião vazara à imprensa, a qual passara a noticiar que Nestor Cerveró estaria fazendo colaboração premiada”, relatou Bernardo Cerveró.

“O senador perguntou ao depoente o que Cerveró havia dito na reunião com a força-tarefa da Lava Jato; que o depoente respondeu ‘eles sabem de tudo, eles têm muita informação, perguntaram da Alstom'; que o depoente percebeu que a menção Alstom ‘ligou o alerta’ isto é, despertou a atenção do senador.”


O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa já havia dito também em delação premiada que, em função do problema de racionamento de energia elétrica ‘no ano de 2001 ou 2002’, a Petrobrás adquiriu emergencialmente turbinas a gás para termoelétricas. Na época, Delcídio era diretor de Gás e Energia da estatal.

Por meio da Diretoria de Gás e Energia da Petrobrás, foi adquirida uma quantidade de turbinas bastante superior à necessária”, declarou Paulo Roberto Costa. “Várias turbinas permaneceram por longo período de tempo no almoxarifado da Petrobrás; que havia comentários dentro da Petrobrás sobre a compra desnecessária dessas turbinas; que também havia comentários de que a Alstom havia pago propina em razão dessa operação de compra de turbinas.”

Subordinado a Delcídio do Amaral na época, Nestor Cerveró afirmou em sua delação premiada – termo de colaboração nº 4 – que o senador o ‘procurava seguidamente’ para saber ‘como estavam as pendências’ perante o Tribunal de Contas da União e o CPI da Petrobrás, ‘primeiramente envolvendo questões de termoelétricas e depois da Lava Jato’.

Gravação. A Alstom foi tema de parte da reunião entre o ex-líder do governo e Bernardo Cerveró em novembro de 2015. O filho do executivo gravou o encontro e entregou ao Ministério Público Federal. A conversa, da qual também participaram o chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira e o advogado Edson Ribeiro, que defende o ex-diretor, ocorreu em um hotel de luxo em Brasília.

Na reunião, Delcídio do Amaral ofereceu dinheiro e rota de fuga para Cerveró, em troca da omissão do nome do senador na delação premiada do ex-diretor da Petrobrás.

Pasadena. Delcídio do Amaral também foi citado na delação do lobista Fernando Baiano, apontado pela Lava Jato como operador de propinas no esquema de corrupção instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014. Fernando Baiano disse que Delcídio do Amaral teria recebido US$ 1,5 milhão em espécie na operação de compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

COM A PALAVRA, A ALSTOM

“A Alstom não vai comentar e reitera o seu total compromisso no seguimento das leis e regulamentos dos países onde atua.”

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Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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