terça-feira, 24 de novembro de 2015

Moro requereu todos os contratos do BNDES com Bumlai


Imagem: Reprodução
Os contratos de empréstimo do pecuarista José Carlos Bumlai com o BNDES estão no alvo da nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira (24) e que prendeu o empresário.

Policiais federais estiveram na sede do banco –na avenida República do Chile, no centro do Rio–, por volta das 8h e seguiram para o setor jurídico da companhia. Eles intimaram a presidência a entregar cópias dos contratos e seus processos de aprovação, realizados entre 2005 e 2012.


O banco forneceu à Polícia Federal cópias de todos os contratos citados na intimação. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, não se encontrava no prédio no momento da ação policial.

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Serão investigados três empréstimos a duas empresas do pecuarista, que é amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: São Fernando Açúcar e Álcool e São Fernando Energia, que somam R$ 518 milhões.

Grande parte das operações, de acordo com o Ministério Público Federal, nunca foi paga.

"A investigação ainda é incipiente, mas queremos saber se as operações seguiram as normas internas do banco ou se houve inconformidades", disse o procurador Diogo Castor de Mattos.

Segundo ele, as empresas ou estavam inativas ou não tinham atividade operacional na época dos empréstimos.

A São Fernando Açúcar e Álcool, por exemplo, obteve um contrato de R$ 338 milhões com o BNDES quando já havia um pedido de falência, em 2008. A empresa tem um passivo de cerca de R$ 1 bilhão atualmente –metade dele com o BNDES.

Já a São Fernando Energia conseguiu um empréstimo de R$ 101 milhões quando estava inativa operacionalmente e possuía apenas sete empregados.

As duas empresas eram administradas pelos filhos de Bumlai, Maurício e Guilherme, e também tinham participação de Natalino e Silmar Roberto Bertin, que eram sócios do frigorífico Bertin.

Segundo os procuradores, chamou a atenção a realização de saques "vultuosos" das contas da empresa São Fernando por Bumlai –o que pode ser um indício de dissimulação do caminho até o destinatário final do dinheiro.

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As investigações, porém, ainda estão em fase inicial.

Em nota, o BNDES afirmou que não houve qualquer irregularidade nas operações, que possui garantias reais suficientes para fazer frente à dívida existente e que todas as medidas judiciais pertinentes para a recuperação do crédito foram tomadas pela instituição.

"O BNDES reafirma a lisura de todos os procedimentos associados aos empréstimos com o Grupo São Fernando", informou. "O banco reafirma sua disposição de continuar colaborando com as autoridades e seu zelo para com a gestão dos recursos públicos sob sua responsabilidade."

Também em nota, a Receita Federal afirmou que "nesta fase investigam-se sucessivas contabilizações de supostos empréstimos com o objetivo de dissimular a real circulação de recursos saídos de instituições financeiras até os beneficiários finais dos valores, em intrincado esquema de interposição fraudulenta e de lavagem de dinheiro [...] As ações visam a encontrar, entre outros, elementos que possam relacionar a quitação de empréstimo de R$ 12 milhões concedido em 2004 ao principal investigado e a contratação pela Petrobras em 2009 de empresa de engenharia vinculada à instituição financeira credora, para operação de navio sonda."

No Rio, também houve busca em apreensão em dois endereços da família Bumlai na cidade, uma residência na Barra da Tijuca (na zona oeste) e um escritório em Ipanema (na zona sul).

VÍNCULO POLÍTICO

Para os investigadores, está claro que o dinheiro de pelo menos uma operação conduzida por Bumlai, o empréstimo de R$ 12 milhões com o banco Schahin, era destinado ao PT.

Neste caso, segundo a investigação, houve interferência direta de Delúbio Soares, tesoureiro do PT à época, e do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

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Os procuradores, porém, ainda investigam quem eram os destinatários finais e se outras operações, como as do BNDES, também foram destinadas ao partido -num esquema semelhante ao adotado no mensalão.

"A força-tarefa tem se esforçado para verificar o uso de qualquer empresa ou órgão público para a formação de caixa para partidos políticos ou para a base do governo", disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, sobre a investigação no BNDES.

Uma das hipóteses é que o dinheiro dos empréstimos tenha sido direcionado para pagar dívidas das campanhas presidenciais de 2002 e 2006, quando Lula foi eleito. É o que dizem alguns dos delatores da Lava Jato -os policiais, no entanto, ainda investigam essa possibilidade.

O envolvimento do ex-presidente Lula, citado por alguns dos investigados e delatores, não foi comprovado até aqui. Segundo os procuradores, não há nenhuma evidência contra o político.

O Palácio do Planalto avalia que a prisão do pecuarista abre uma nova vertente de investigação na Operação Lava Jato, com foco no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e desdobramentos políticos sensíveis para o governo Dilma Rousseff.

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Estelita Hass Carazzai
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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