quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Delcídio tem claustrofobia na prisão, conclui que 'agora está só' e prevê que perderá o mandato


Imagem: Aílton de Freitas / Ag. O Globo
O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) passou mal na prisão no fim de semana. Pela primeira vez completamente sozinho, e por longas 24 horas, numa sala sem janelas, ele teve sensação de claustrofobia entre o sábado (28) e o domingo (29), quando não são permitidas visitas de familiares nem de advogados na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

As condições e o tratamento dispensado aos presos na PF em Brasília são considerados bons, inclusive por familiares do senador. A cela, por exemplo, não tem grades. E ele tem acesso a uma saleta com cozinha e banheiro por onde circulam policiais. No fim de semana, no entanto, com menor número de funcionários, a rotina geral muda e os presos têm que ser muitas vezes trancados, o que ocorreu com o senador.

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A sensação de solidão e sufocamento experimentada por ele é agravada, segundo amigos próximos, pelo fato de Delcídio ter tido uma rotina frenética nos últimos anos. Ele começava a trabalhar às 7h e só descansava depois da meia-noite. Conversava com centenas de empresários, políticos, jornalistas e regularmente com a presidente Dilma Rousseff. No sábado (28), na prisão, ele só tinha o silêncio ao seu redor.

Delcídio já prevê que perderá o mandato de senador. E diz saber que de nada lhe serve, nos dias atuais, o prestígio e o acesso a todas as esferas de poder que ele tinha até o dia em que foi preso. "Sou só eu agora", tem dito a familiares. Maika, mulher do senador, muitas vezes chora compulsivamente, segundo amigos do casal.

Delcídio já leu dois livros em menos de uma semana e se dedicou também a analisar seu processo. A defesa do senador estuda entrar nesta quarta (2) com pedido de revogação da prisão alegando que todos os riscos apontados pelo Ministério Público caso ele ficasse solto foram superados. Testemunhas já foram ouvidas, buscas e apreensões já foram feitas e por isso ele não teria mais como tentar atrapalhar essa etapa das investigações.

A defesa deve propor o uso de tornozeleira como alternativa à prisão.

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Mônica Bergamo
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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