quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Dilma defende Venezuela no Mercosul e se opõe à proposta do presidente eleito da Argentina


Imagem: Roberto Stuckert Filho/PR
Dias após fazer sua primeira crítica aberta à Venezuela, a presidente Dilma Rousseff deixou claro que não pretende apoiar as movimentações da Argentina que poderiam acabar levando à exclusão do país do Mercosul — uma promessa de campanha do presidente eleito Mauricio Macri. Sem entrar em detalhes, Dilma afirmou que não há razões que sustentem recorrer à chamada cláusula democrática do bloco e lembrou que, para se lançar mão da medida, é preciso dispor de fatos determinados:


— A cláusula democrática é integrante do acordo do Mercosul. Ela já existe. Agora, pra usá-la, não pode usar com hipóteses. É preciso qualificar o fato. Ela permitiu que o Mercosul não concordasse com a saída do presidente do Paraguai — afirmou, referindo-se ao impeachment de Fernando Lugo em 2012, em coletiva antes de deixar a Conferência do Clima de volta ao Brasil. — Para se colocar a cláusula democrática, tem de se colocar sobre fatos determinados.

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A defesa que Dilma fez do governo Maduro ocorreu no mesmo dia em que líderes e ex-chefes de Estado de vários países fizeram um apelo conjunto para que a Venezuela respeite o processo democrático. Mariano Rajoy (atual presidente de governo espanhol), Manuel Valls (premier da França) e David Cameron (premier britânico) se uniram, entre outros, aos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Lagos (Chile) e Felipe González (do governo da Espanha), no comunicado, intitulado “Venezuela grita ‘liberdade’”.

No documento, os signatários criticam a rejeição a observadores internacionais nas eleições do dia 6 e pedem que Maduro garanta um pleito livre e transparente: “A democracia não funciona quando o ambiente eleitoral está dominado por violência, ameaças e intimidação da oposição”.

— Inequivocamente, tudo faz parte de uma estratégia para confundir o eleitorado que conta com o aval do CNE — afirmou ao GLOBO Edgard Gutierrez, do instituto de pesquisas Venebarómetro.

No fim de semana, o deputado governista Ernesto Villegas, que tenta a reeleição, causou polêmica ao divulgar um jingle do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) similar ao que vem sendo usado pela MUD indicando a parte da cédula onde marcar o voto. Secretário-geral da MUD, Jesús Torrealba, qualificou a manobra de “medíocre”. Os dirigentes da coalizão vêm se dedicando a explicar a seus apoiadores o local exato onde estará impresso seu logotipo, pois temem perder votos por casos como esses.

Luis Vicente León, do instituto Datanálisis, alerta para uma mudança nas projeções na última semana, o que pode fazer com que a diferença de pontos percentuais diminua na reta final. Mas lembra que nenhum cenário indica que o governo sairá vencedor. Para conquistar maioria simples no Parlamento, a oposição precisará obter de 7% a 13% de votos a mais.

— Presenciamos abuso de poder prévio, controle da mídia e até chantagens, mas tudo isso é levado em consideração ao se calcularem as projeções — explicou ao GLOBO, de Caracas. — Mais importante que observadores internacionais é que opositores garantam presença de fiscais em todo o país.

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O CNE vetou ainda a presença de delegações da OEA e da União Europeia no país, admitindo apenas a observação de uma equipe da Unasul. A presença, no entanto, é simbólica, já que seus membros, previamente aprovados, não farão nenhuma avaliação do processo eleitoral.

— A representação política da Unasul é mais inclinada para o chavismo, o que dista muito de ser técnica. A prova disso é a posição do órgão eleitoral brasileiro (TSE) de não participar — disse Gutierrez.

O governo ainda vem fazendo uma campanha do medo, alertando eleitores para uma suposta perda dos benefícios sociais conquistados caso o Parlamento seja controlado pela oposição. Nesta segunda-feira, Maduro voltou a dizer num comício que irá às ruas para defender a revolução caso o chavismo sofra um revés domingo.

— Não vou me entregar sob qualquer circunstância. Sei que vamos vencer, mas se ocorrer uma situação negativa, vou às ruas para lutar com o povo, como sempre fiz, e a revolução passará a outra etapa.

Por sua vez, a oposição pediu que as Forças Armadas assegurem o respeito ao resultado das eleições. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, descartou intervenção militar em caso de derrota do governo.

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Vivian Oswald e Marina Gonçalves
O Globo
Editado por Folha Política
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