quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Maduro dissolve ministério, nega anistia e diz: 'Vocês votaram contra vocês mesmos'


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Menos de 48 horas após a derrota do partido governista nas eleições parlamentares na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro anunciou na noite desta terça-feira (madrugada de quarta no Brasil) uma reforma ministerial e, em desafio à oposição, proibiu demissões de trabalhadores do setor público pelos próximos três anos. Maduro também negou-se a anistiar os líderes opositores presos acusados de fomentar a violência em protestos contra o governo.


Na eleição de domingo, a oposição conquistou maioria qualificada de dois terços para a nova legislatura, que toma posse em 5 de janeiro, o que lhe dá amplos poderes para promover reformas e enfraquecer o modelo econômico e político chavista.

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“Na próxima sexta-feira, vou emitir o decreto de lei de estabilidade laboral para os trabalhadores para os anos de 2016, 2017 e 2018”, afirmou. “Trabalhadores da pátria, vocês têm um presidente chamado Nicolás Maduro, filho de Chávez, que os vai defender, sempre, para sempre, e com a sua própria vida, se necessário for para defender vocês.”

A lei de estabilidade laboral pode ser facilmente derrubada pela Assembleia Nacional opositora que assumirá no ano que vem. Mas, com a sua aprovação, Maduro colocará os rivais no constrangedor papel de anular uma lei que, em tese, beneficia os trabalhadores.

‘Ganharam os maus’

Sobre as eleições, Maduro afirmou que “ganharam os maus”. Referindo-se às dificuldades econômicas do país, disse compreender por que os eleitores votaram na oposição, mas criticou a escolha dos venezuelanos. “Eu entendo, mas foi um erro”, afirmou. “Vocês votaram contra vocês mesmos.”

O presidente classificou de “chantagem” os clamores de setores da oposição por uma reforma na atual lei trabalhista venezuelana e outras medidas de ajuste econômico.

“É possível seguir com a Revolução Bolivariana com a Assembleia nas mãos da oposição? Tirem suas próprias conclusões. Aqui estão as ameaças concretas, e elas estão apenas começando.”

Ele solicitou a todos os ministros que entregassem seus cargos, para viabilizar um “processo de retificação e reimpulso”, visando uma “renovação profunda” na Revolução Bolivariana.


Sem anistia

O presidente afirmou ainda que não anistiará os presos políticos do país, entre eles algumas das mais importantes lideranças da oposição, como o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, detido neste ano por agentes de inteligência, e Leopoldo López, um dos líderes dos protestos contra o governo em 2014. Eles são acusados de conspirar para que houvesse violência em diferentes protestos opositores em que morreram dezenas de pessoas.

Maduro anunciou também uma sessão da Assembleia Nacional na quinta-feira para que sejam nomeados 13 juízes do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), a mais alta corte do país. Essas 13 cadeiras estão vagas desde o meio do ano. A Corte é composta por 32 magistrados e tem diversas salas, a mais importante delas a constitucional.

Lealdade a Chávez

O presidente fez seu pronunciamento em cadeia de rádio e TV dentro do Cuartel de La Montaña, o quartel militar onde repousam os restos do ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013.

Reagindo a rumores de que a oposição fecharia o local para a visitação pública, ele anunciou que passará o quartel às mãos da Fundação Hugo Chávez.

O anúncio foi feito no quarto aniversário da noite em que Chávez anunciou que iria tratar seu câncer em Cuba e, já prevendo sua morte, pediu que os venezuelanos votassem em Maduro, caso ele não retornasse ao país. O ex-presidente voltou à Venezuela para morrer, o que aconteceu em 5 de março de 2013.

Após a morte de Chávez, o governo batizou o 8 de dezembro como “Dia da Lealdade e do Amor ao Comandante Supremo Hugo Chávez”. 

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Fabio Murakawa
Valor
Editado por Folha Política
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