sábado, 12 de dezembro de 2015

PF confirma operação financeira mencionada em denúncia de chantagem por caso Celso Daniel


Imagem: Divulgação / Polícia Federal
O delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace, que integra a Operação Lava Jato em Curitiba (PR), indiciou nesta sexta-feira (11) o pecuarista José Carlos Bumlai por supostos crimes de corrupção passiva e gestão fraudulenta. 


O indiciamento não significa culpa formada, mas sim que a PF identificou indícios que considera suficientes para acusar Bumlai de crimes. O Ministério Público Federal deverá ainda dar sua opinião sobre o assunto e submeter eventual denúncia à apreciação do juiz federal Sergio Moro, que decidirá então pela abertura ou não de uma ação penal. 


No relatório do indiciamento, o delegado da PF concluiu que o fazendeiro "possivelmente" se utilizou de maneira "indevida do relacionamento que mantinha com o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva" para se beneficiar pessoalmente de uma contratação irregular da Schahin Engenharia, pela Petrobras, para a operação de um navio-sonda, o Vitoria 10.000. 

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Segundo a PF, Bumlai promoveu "a atuação ilegal de diretores (Nestor Cerveró) e gerentes (Eduardo Vaz Musa)" da Petrobras para receber, "em seu favor, vantagem indevida, que consistiu na quitação do empréstimo tomado originalmente em 2004" por Bumlai no banco Schahin. 

De acordo com o delegado, "ao contrário do que sustentou" Bulai em depoimento na PF, "alguns documentos apreendidos reforçam que ele" e Lula "mantinham sim relação de amizade muito próxima". "São fotos e convites que apresentam ambos em eventos oficiais –ao que parece, em viagem à Angola, por exemplo– e em momentos de intimidade, como festas e visitas", diz o relatório da PF. 

A investigação concluiu que há indícios de que Bumlai contraiu um empréstimo no banco Schahin com o objetivo de quitar "uma dívida" contraída pelo PT no ano de 2002. Segundo a PF, uma empresa de ônibus de Ronan Maria Pinto, implicado no escândalo de desvio de recursos da Prefeitura de Santo André (SP) que veio à tona logo após o assassinato do então prefeito, Celso Daniel (PT), em janeiro de 2002, recebeu R$ 2,9 milhões de uma firma de "agenciamento", a Remar, dias após Bumlai ter contraído um empréstimo de R$ 12 milhões junto ao banco Schahin. O dinheiro obtido por Bumlai, de acordo com a PF, passou por contas bancárias de duas empresas até chegar à empresa de Ronan. 

A operação guarda relação com um depoimento prestado em 2012 pelo pivô do escândalo do mensalão, o publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza, segundo o qual houve uma operação política em 2002 com o objetivo de comprar o silêncio de Ronan Pinto sobre denúncias de irregularidades na Prefeitura de Santo André. Na época do seu assassinato, em janeiro de 2002, Celso Daniel era coordenador da pré-campanha de Lula à Presidência e revelações sobre irregularidades na prefeitura poderiam impactar a campanha do petista. 

"A utilização de diversos atores na transferência dos recursos sugere, ao que parece, a tentativa de dissimular a origem do dinheiro e a real motivação das operações. Nada obstante, repita-se, os fatos ilícitos por ora imputados a José Carlos Costa Marques Bumlai limitarem-se ao momento da quitação do empréstimo contraído em 2004, os registros bancários acima indicados diminuem as dúvidas de que, ao menos parcialmente, o [empréstimo] mútuo destinava-se a atender aos interesses do Partido dos Trabalhadores", concluiu o relatório da PF. 

O advogado de Bumlai, Arnaldo Malheiros Filho, afirmou à Folha que os fatos descritos no indiciamento "já eram conhecidos" e são negados por seu cliente. O advogado considerou dentro do previsto o indiciamento e ressaltou que ainda há investigações em andamento sobre o caso às quais a defesa ainda não teve acesso.

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Folha de S. Paulo
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