sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Polícia Federal pede para investigar relações do PT com o Banco Schahin


Imagem: Geraldo Bubniak / AGB
A Polícia Federal pediu ao juiz federal Sergio Moro, que atua nos processos da Operação Lava Jato, autorização para investigar as relações entre o PT e o Banco Schahin. O delegado Filipe Pace, que assina o pedido, diz que o fato de o banco nunca ter cobrado um empréstimo de R$ 12 milhões, que teria beneficiado o partido, guarda semelhanças com o mensalão. 

No escândalo do mensalão, os bancos Rural e BMG não cobravam empréstimos feitos pelo PT, segundo a decisão do Supremo Tribunal Federal. Salim Schahin, um dos donos do banco, afirmou em acordo de delação premiada que o empréstimo de R$ 12 milhões, feito em 2004, nunca foi pago. Em troca do perdão da dívida, segundo ele, a Petrobras deu a uma empresa do grupo Schahin um contrato de R$ 1,6 bilhão. 

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Outro personagem da história, o pecuarista José Carlos Bumlai (foto), que tomou o valor emprestado, confirmou a fraude e afirmou em uma confissão que os R$ 12 milhões foram para o caixa dois do PT. Ele fez a confissão em busca de uma pena menor. 

O pecuarista diz que a ideia do empréstimo partiu do banco e que aceitou fazer a operação depois de um pedido do então presidente da instituição financeira, Sandro Tordin. 

O delegado diz no pedido que há uma série de fatos obscuros que devem ser apurados. Segundo a delação de Salim Schahin, o empréstimo foi acertado na sede do banco, com a presença de Delúbio Soares, que era tesoureiro do PT em 2004, e do publicitário Marcos Valério, que foi condenado a 40 anos de prisão em 2012 por ter sido considerado um dos mentores do mensalão. 

"A presença de Marcos Valério e Delúbio Soares, associada à existência de empréstimos duvidosos concedidos pelo Banco Schahin a pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores, guarda inequívoca semelhança com as práticas criminosas identificadas no escândalo [do] mensalão", escreve o delegado no pedido. 

Outro fato suspeito na visão do delegado é a cobrança feita em 2008 não dos R$ 12 milhões emprestados quatro anos antes, mas de R$ 56 milhões. 

Outro delator da Operação Lava Jato, Eduardo Vaz Musa, que foi gerente da Petrobras, disse que ouviu de Sergio Gabrielli, ex-presidente da estatal, que o PT tinha uma dívida de campanha de R$ 60 milhões e que o valor seria pago pelo Schahin em troca de um contrato com a Petrobras para operação de sondas de prospecção de petróleo. 

Uma empresa do grupo Schahin ganhou em 2008 um contrato de R$ 1,6 bilhão para fornecer e operar um navio-sonda chamado Vitoria 10000. 

De acordo com o delegado, a cobrança de R$ 56 milhões pelo banco em 2008 e a afirmação de Musa colocam em dúvida a própria delação de Salim Schahin. Para o policial, a cobrança de R$ 56 milhões "é fato novo e que merece ser devidamente apurado". 

O delegado aponta ainda que há indícios de que o Banco Schahin fez um empréstimo de R$ 10,3 milhões que nunca foi pago e tinha como avalistas os produtores de vídeo Giovani Favieri e Armando Peralta Barbosa, que atuaram em campanhas do PT. 

Em entrevista à Folha, Favieri confirmou que recebeu recursos de caixa dois de campanha que fez em 2004 em Campinas para o candidato a prefeito Dr. Hélio (PDT), que tinha o apoio do PT. 

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Em sua confissão, Bumlai diz que metade dos R$ 12 milhões foi para o PT em Campinas e os outros R$ 6 milhões para o diretório do partido em Santo André. 

O delegado pede também para desarquivar uma apuração sobre o ex-presidente do banco, Sandro Tordin, por considerar que ele pode ter cometido irregularidades na concessão do empréstimo. Os procuradores da Lava Jato trataram Tordin como testemunha, não suspeito, e defenderam que a apuração sobre ele fosse arquivada porque ele saiu do banco antes de o empréstimo ter sido quitado de maneira fraudulenta. 

OUTRO LADO 

O advogado Rogério Taffarello, que defende Salim Schahin, diz que não há omissões na delação de seu cliente, mas não quis se pronunciar sobre as suspeitas do delegado. 

O PT diz que todas as doações que o partido recebe são legais e declaradas à Justiça eleitoral. 

O advogado de Sandro Tordin, Adriano Salles Vanni, diz que seu cliente já foi investigado e processado pela concessão do empréstimo e ao final foi absolvido, em decisão definitiva. 

Ainda segundo Vanni, é equivocada a versão de Bumlai de que foi Tordin quem teve a ideia do empréstimo. "O próprio Salim já disse que foi ele quem autorizou o empréstimo de R$ 12 milhões, não o Sandro. Era um banco familiar e ele não tinha poder para autorizar um empréstimo desse valor". 

O produtor de vídeo Giovani Favieri confirma que foi avalista de um empréstimo no Banco Schahin feito pela Construtora Intercom. Ele nega, no entanto, que tenha sido beneficiado pelo montante. "Só avalizamos o empréstimo. E não sou petista. Trabalhei para todos os partidos".

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Mário César Carvalho
Folha de S. Paulo
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