sábado, 5 de dezembro de 2015

Venezuela vai às urnas em eleição que pode ser o início do fim do chavismo


Imagem: Juan Barreto/AFP
Os venezuelanos realizarão no domingo eleições legislativas com ares de plebiscito para o governo do presidente Nicolás Maduro, que enfrenta uma forte crise econômica que atinge sua popularidade, à sombra da qual a oposição ganhou espaço.

Um total de 19,5 milhões de eleitores estão convocados para eleger 167 deputados de uma Assembleia controlada pelo governismo de esquerda desde que o falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013) chegou ao poder.


Várias pesquisas dão à coalizão opositora Mesa de la Unidad Democrática (MUD, centro-direita) uma vantagem sobre o chavismo nas intenções de voto, para alcançar ao menos a maioria simples, equivalente à metade mais um dos parlamentares.

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Mas no sistema eleitoral venezuelano - automatizado - o número de sufrágios não necessariamente reflete a quantidade de assentos devido a um complexo método de repartição.

"Cerca de 40% do eleitorado (com forte componente chavista) termina elegendo 60% dos deputados. A oposição precisa de uma vantagem grande para vencer", disse à AFP Benigno Alarcón, diretor do Centro de Estudos Políticos da Universidade Católica Andrés Bello.

Advertindo que o chavismo promete vencer na Assembleia "do jeito que for" para radicalizar a revolução, Maduro, eleito para o período 2013-2910, afirmou que haverá uma surpresa.

Embora tenha afirmado que em caso de uma derrota se "lançará às ruas para defender a revolução", na noite de sexta-feira baixou o tom, convocou a "converter as eleições em uma festa de convivência" e reiterou que será "o primeiro a reconhecer os resultados".

Por anos dividida e convencida de uma vitória depois de perder 18 de 19 eleições realizadas na era chavista, a oposição se apresenta com uma lista única de candidatos e com a promessa de uma campanha que coloque fim às dificuldades geradas com a crise econômica no país, que possui as maiores reservas petrolíferas do planeta.

"Temos toda a razão do mundo para nos sentirmos otimistas, mas não deve haver margem para o triunfalismo", disse Jesús Torrealba, secretário da MUD, ao encerrar a campanha.

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Se vencer com uma maioria folgada, a MUD, com vários de seus dirigentes presos ou inabilitados politicamente, planeja uma série de reformas econômicas, mas também cogita buscar a revogação do mandato de Maduro se estas iniciativas forem bloqueadas.

Os ânimos eleitorais estão marcados pela crise econômica, após a queda dos preços do petróleo em um país que obtém 96% de suas divisas das exportações do produto.

Na última semana, o petróleo venezuelano foi cotado a 34,05 dólares por barril, seu mínimo em sete anos, longe dos 132 dólares que chegou a alcançar com o falecido Chávez.

Devido a isso, na Venezuela, altamente dependente da importação de alimentos e remédios, é registrada uma aguda escassez de produtos básicos, situação à qual se soma uma inflação que pode chegar a 200% em 2015, segundo cálculos privados.

Por isso as legislativas se converteram em um plebiscito entre os que apoiam e os que estão irritados com Maduro, cuja popularidade, segundo a empresa Datanálisis, caiu a 22%, opina Alarcón.

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AFP via Exame
Editado por Folha Política
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