sábado, 16 de janeiro de 2016

Faculdade de R.R. Soares fecha as portas e culpa o governo


Imagem: Reprodução
A Faculdade do Povo (FAPSP), criada em 2009 para ofertar cursos na área de Comunicação, fechou as portas no final de 2015 alegando inviabilidade financeira, gerando a demissão de todo o quadro de funcionários e a transferência forçada de seus 430 alunos. De acordo com a instituição, o “grande vilão” da história foi o programa de financiamento estudantil Fies, cuja mudança de diretriz para suportar o contingenciamento dos gastos da União acabou reduzindo o número de beneficiados.


A FAPSP era mantida pela Associação Educacional e Assistencial Graça de Deus (Pró-Graça), uma entidade com sede no Rio de Janeiro, associada à Igreja Internacional da Graça de Deus, do televangelista missionário R.R. Soares. No site da Igreja, consta que a Pró-Graça não é mantida com dinheiro de dízimo.

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Em dezembro, inesperadamente, a Faculdade do Povo emitiu o primeiro comunicado aos estudantes avisando sobre o encerramento das atividades e extinção de todos os cursos “por força da absoluta inviabilidade econômico-financeira, agravada pelo atual quadro de recessão”.

“A FAP fechou porque a mantenedora não suportou mais o déficit mensal de mais de R$ 100 mil para manter a escola aberta. O Fies foi o grande vilão. Fizemos um esforço hercúleo para satisfazer todas as exigências e para conseguir passar pelas etapas do extremamente confuso site do Fies. Conseguimos autorização de cerca de 200 bolsas, mas, na hora H, apenas três alunos foram contemplados. A informação era a de que, diante dos cortes necessários, o governo priorizou cursos na área de medicina e engenharia, no Norte e Nordeste do país”, disse ao GGN o diretor geral da Faculdade do Povo, Eber Cocareli.

A FAPSP também possuía mais de 100 bolsistas com 50% de desconto, em média, pelo Prouni. Entre os demais, “a maioria esmagadora contava com algum tipo de desconto sistemático” de 30% a 50% fornecido pela própria faculdade, na tentativa de atrair e fidelizar estudantes.

À época do fechamento, Patrícia Paixão, coordenadora do curso de Jornalismo, publicou em sua página pessoal no Facebook uma mensagem lamentando a postura da Faculdade. “Os prêmios que conseguimos, nossos projetos, nada foi considerado. Fomos vistos como um número”, desabafou.

A Pró-Graça emitiu, dias depois, um informe sobre as tratativas com uma universidade em São Paulo para transferir os alunos “nas condições mais próximas possíveis das que eles dispunham na FAPSP”. A universidade parceira é a Unisa (Universidade de Santo Amaro), que, contatada há uma semana pelo GGN, não quis fornecer detalhes sobre os procedimentos adotados com os novos alunos.

Ao contrário do que estabelece a legislação, a Faculdade do Povo fechou as portas subitamente sem aviso ao Ministério da Educação. A pasta informou ao GGN que a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior notificou a instituição de ensino em 22 de dezembro, para que prestasse os esclarecimentos necessários.

Cocareli confirmou que a instituição foi notificada e disse que coube à mantenedora, ligada à igreja de R.R. Soares, regularizar a situação. “Os trâmites foram todos feitos diretamente pela Pró-Graça, no Rio de Janeiro, e eu não sei qual foi o desfecho", pontuou.

Dificuldade na transferência

Prounista do curso de Jornalismo, Ana Gabriella Salles relatou ao GGN dificuldades na troca de instituições. Segundo ela, a Faculdade do Povo “não está disponibilizando o conteúdo programático que é exigido para efetuar a transferência”. “Estamos praticamente sendo obrigado a fazer transferência para a Unisa, sendo que lá não podemos mudar de horário, campus ou curso”, reclamou.

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Segundo a Faculdade do Povo, o histórico escolar de todos os alunos foi impresso antes do dia 18 de dezembro. “O Conteúdo Programático está sendo feito à medida em que é requerido pelo aluno que não deseja ir para a Unisa. Como só temos quatro pessoas na secretaria, o trabalho é lento, mas está sendo feito”, afirmou Eber Cocareli. De acordo com ele, a Unisa está reformando e adaptando o campus de Santa Cecília para dar conta da demanda.

De acordo com o MEC, "bolsa de estudo [Prouni] poderá ser transferida para curso afim, ainda que para turno distinto, de outra instituição regularmente credenciada e participante do programa. O procedimento de transferência de bolsa é de caráter interno das instituições, devendo ser solicitada diretamente pelo estudante.”

Fonte de recursos

Em seu site, a Igreja Internacional da Graça de Deus explica a relação da Faculdade do Povo com a Pró-Graça: “Quem mantém a Faculdade do Povo é a Associação Educacional e Assistencial Graça de Deus, mais conhecida como Pró-Graça. Trata-se de uma entidade criada, com diretoria própria, para atrair e gerir recursos que não dízimos e ofertas, a fim de empregá-los na obra social. A Pró-Graça trabalha junto a empresas e órgãos públicos, para cumprir sua finalidade. É bem diferente de usar os recursos financeiros da Igreja em coisas que não estejam diretamente ligadas à pregação do Evangelho, pois só ela prega a Palavra, e se desviar os recursos que tem para outras finalidades, a salvação dos perdidos ficará prejudicada.”

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Cíntia Alves
GGN
Editado por Folha Política
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