segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Impeachment e eleições prometem um 2016 agitado na política


Imagem: Lula Marques/Agência PT
Impeachment, crise na Câmara, disputa pelo poder no PMDB, novos desdobramentos da Lava Jato e eleições. O ano de 2016 já começa com a promessa de agitação no mundo político, que ainda será influenciado pelo desenrolar da crise econômica. Para parlamentares ouvidos pelo JC, o primeiro semestre deve ser dedicado a definição sobre a continuidade da presidente Dilma Rousseff (PT) no poder, com a análise do processo de impedimento pelo Congresso, e sobre a permanência de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara, em meio às denúncias de corrupção e as contas no exterior.
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Apesar de Dilma ter terminado 2015 com algumas vitórias, principalmente com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de não reconhecer o rito do impeachment defendido por Cunha, a oposição começa o novo ano na expectativa pela deposição da petista. “Vai ser um primeiro semestre conturbado no Congresso com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que precisa ter um desfecho”, sinaliza Mendonça Filho, líder do DEM.

A oposição não queria votar o impeachment no recesso por apostar na pressão dos movimentos de rua a partir de março. “O processo segue parado até que o STF julgue os embargos. Com isso, nós seguramente devemos ultrapassar o Carnaval. A partir daí, vamos aguardar a temperatura na sociedade para retomar a eleição da comissão do impeachment”, adianta Bruno Araújo (PSDB), líder da Minoria na Câmara.

Único pernambucano no Conselho de Ética da Câmara, Betinho Gomes (PSDB) acredita que a situação de Eduardo Cunha será insustentável e aposta que mesmo que os deputados não tenham força para tirá-lo do cargo, o STF deve se pronunciar. O tucano adverte, porém, que o processo de saída de Cunha não será menos conturbado. “Haverá toda uma mobilização de partidos de base e do PMDB querendo manter a presidência. Você coloca mais um ingrediente que vai complicar o cenário político”, argumenta.

O Planalto trabalha para derrotar o impeachment até março e, depois, recompor a base política, apostando na mudança nos líderes dos partidos na Câmara. O maior desafio será dialogar com o PMDB, que impôs seguidas derrotas ao Executivo nas votações do ano passado. Vice-líder do governo, Silvio Costa (PTdoB) lembra que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pode assumir o comando do partido em março. Mais governista, o senador reduziria a força do vice-presidente Michel Temer, que se afastou de Dilma. “Temer, para mim, foi uma das decepções de 2015. Acho que ele realmente passou muito tempo sendo uma espécie de general da conspiração. Mas ele já percebeu que perdeu. E agora, ele é quem vai ter que procurar se recompor com o governo”, dispara.

A pauta do impeachment, a possível saída de Cunha e o período de Olimpíadas e eleições deve deixar mais lenta no Congresso a discussão de projetos importantes para resolver a crise fiscal como a recriação da CPMF, a aprovação da DRU, e os ajustes na previdência. Para o líder do PT no Senado, Humberto Costa, é importante que o Congresso consiga se debruçar sobre essas questões ao longo do ano. “Se o governo tomasse algumas medidas que pudessem ter resultado de curto prazo, a gente poderia ter um ano muito mais tranquilo do ponto de vista da política”, projeta.

Contrário ao recesso, Tadeu Alencar (PSB) se diz preocupado com a perspectiva de votações de temas importantes no Legislativo. “Existe uma parcela da sociedade, silenciosa e eloquente ao mesmo tempo, que está cobrando uma solução para essa crise. Isso passa por uma definição sobre o impeachment, mas também que a gente vá adiante. O que não pode é o Brasil, que já perdeu 2015, passar 2016 sem um horizonte”, cobra o socialista.

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Paulo Veras
Jornal do Commercio
Editado por Folha Política
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