sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Na Venezuela, governo e parlamento têm perigoso impasse que envolve até o Exército


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
No fim do ano passado as eleições na Venezuela mostraram que grandes problemas estavam pela frente: pela primeira vez em 17 anos, o parlamento seria formado por maioria da oposição ao governo. E os primeiros sinais deste perigoso "confronto" de lideranças já estão surgindo, como mostra a mais recente edição da The Economist. A primeira sessão com o novo parlamento ocorreu no dia 5 deste mês.

Logo nos primeiros discursos dos deputados da oposição, que normalmente tinhas suas falas cortadas pelo então presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, foram ouvidos na íntegra. E como mostra a publicação, "dezenas de guardas policiais em todo o edifício se inclinaram em seus rádios para ouvir os políticos falarem contra o regime autoritário e incompetente do atual presidente, Nicolás Maduro".

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Não bastasse o clima já pesado, com menos de uma hora de sessão, os chavistas saíram em protesto contra supostos erros processuais do novo presidente da assembléia, Henry Ramos. Cabello, que liderou a greve, parecia claramente desconfortável quando confrontado pelos repórteres que testavam o deputado em suas perguntas ao vivo. Cilia Flores, primeira-dama da Venezuela, que está entre os 54 chavistas no parlamento, friamente recusou-se a responder a perguntas sobre dois sobrinhos que estão enfrentando acusações de narcóticos nos Estados Unidos.

Na batalha que se aproxima contra o parlamento, o Supremo Tribunal pode tornar-se a principal arma do atual regime, diz a Economist, já que um dos últimos atos dos antigos líderes foi encher o tribunal com 13 novos juízes pró-governamentais. Maduro já sugeriu que toda a legislação que ele discorda, incluindo uma proposta de anistia para garantir a libertação de dezenas de presos políticos, será considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.

Por outro lado, o tempo está trabalhando contra o regime de Maduro. O preço do petróleo, praticamente o único produto de exportação da Venezuela, caiu para menos de US$ 30 o barril, seu nível mais baixo desde fevereiro de 2004. Para piorar, ao longo de 2015 e 2016, a economia deverá encolher em cerca de 15%.

Além disso, a escassez de produtos básicos de consumo irá piorar. Na ausência de dados oficiais, os analistas calculam que a inflação no país é quase 200%, a maior taxa do mundo. Um decreto de Maduro, promulgado antes do novo parlamento ser aberto, mostra que o governo tem pouca intenção de fazer algo novo para melhorar a economia ao remove da assembleia o direito de nomear diretores do Banco Central, ou mesmo questioná-los.

À medida que o confronto entre o presidente e o parlamento piora, os venezuelanos se perguntam qual o lado que o Exército irá ficar. Na noite da eleição parlamentar em dezembro, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, declarou na televisão estatal que o exército iria "defender a Constituição". Alguns analistas viram isso como um aviso ao governo linha-dura de que terá que aceitar os resultados das eleições.

Neste complicado cenário, as excêntricas reivindicações do governo sobre o que é constitucional coloca as forças armadas em uma posição desconfortável. "Os militares dizem que vão defender a lei, mas o que é a lei?", questiona Vicente León, um pesquisador citado pela Economist, que completa afirmando que a "luta iminente da Venezuela é em grande parte sobre a resposta a essa pergunta".

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Rodrigo Tolotti Umpieres
Infomoney
Editado por Folha Política
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